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Rinoceronte e macaco já disputaram eleições e tiveram mais votos que homens

Antes das urnas eletrônicas, animais foram lançados como candidatos como forma de protesto e alguns tiveram mais votos que todos os candidatos humanos; relembre

VIVIANE TAGUCHI

14/07/2026 • 15:47 • Atualizado em 14/07/2026 • 15:47

Macaco Tião foi lançado candidato no Rio de Janeiro em 1988

Macaco Tião foi lançado candidato no Rio de Janeiro em 1988

Reprodução/BioParque RJ

Em tempos de política e eleições, é sempre bom relembrar alguns casos curiosos e excêntricos que já aconteceram no Brasil e entre eles, as candidaturas de animais a cargos públicos. Bem antes das urnas eletrônicas chegarem, quando os brasileiros votavam em cédulas de papel, uma rinoceronte obteve mais votos que qualquer outro candidato humano. O caso aconteceu nas eleições à prefeitura de São Paulo. Mas em outras cidades, também houve chimpanzé, bode e até mosquito da dengue com um elevado número de votos.

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Esses “cadidatos” representavam uma forma criativa de protesto política. Em tempos de crise econômica, escândalos ou falta de opções viáveis nas urnas, a resposta do eleitorado muitas vezes vinha com quatro patas, asas ou chifres. De norte a sul, diversos animais se tornaram verdadeiros fenômenos eleitorais, superando candidatos humanos e entrando para a história do folclore político nacional. Relembre os casos mais famosos e surpreendentes:

Cacareco: o rinoceronte que "venceu" em São Paulo

O caso mais famoso de voto de protesto no país aconteceu nas eleições municipais de São Paulo, em 1959. O grande vencedor moral da disputa para a Câmara de Vereadores foi Cacareco, um rinoceronte fêmea de cinco anos que pertencia ao Zoológico do Rio de Janeiro e estava temporariamente emprestado para a inauguração do zoo paulistano.

Em meio a uma grave crise de desabastecimento de alimentos e forte descontentamento com a política local, o jornalista Itirapuan Martins sugeriu lançar o animal como candidato. A ideia viralizou nos meios de comunicação da época, e milhares de cédulas foram impressas com o nome de Cacareco.

O resultado foi avassalador: a rinoceronte recebeu cerca de 100 mil votos, superando individualmente a votação de qualquer candidato humano e de qualquer legenda partidária daquele pleito. Como era de se esperar, a Justiça Eleitoral anulou os votos, mas o episódio eternizou o termo "voto cacareco" como sinônimo de protesto.

Macaco Tião: terceiro lugar e recorde mundial no Rio

Três décadas depois, em 1988, foi a vez do Rio de Janeiro encontrar seu "candidato" ideal no Zoológico da cidade. O chimpanzé Macaco Tião, conhecido por sua personalidade forte e por atirar lama em visitantes (especialmente políticos), foi lançado à prefeitura carioca pela revista humorística Casseta Popular.

A campanha fictícia ganhou as ruas com o lema "Vote nulo, vote Tião". O chimpanzé conquistou impressionantes 400 mil votos, terminando a disputa em um inacreditável terceiro lugar entre as dezenas de candidatos humanos. O feito foi tão expressivo que garantiu a Tião um registro no Guinness Book (o Livro dos Recordes) como o chimpanzé mais votado da história mundial.

Bode Ioiô para Câmara de Fortaleza

Muito antes das campanhas estruturadas de Cacareco e Tião, a capital cearense já havia inaugurado a tradição dos candidatos quadrúpedes. Na eleição municipal de 1922, os eleitores de Fortaleza, cansados da política tradicional das oligarquias, resolveram escrever o nome do Bode Ioiô nas cédulas de papel para o cargo de vereador.

Ioiô era uma figura folclórica na cidade. Ele passeava livremente pelas ruas do centro de Fortaleza, entrava em cafés, bares e era querido por toda a população. Embora os números exatos da votação tenham se perdido no tempo, o bode recebeu uma votação consagradora. Ao morrer, ele foi empalhado e hoje faz parte do acervo histórico do Museu do Ceará.

Mosquito da dengue eleito em protesto

Em 1987, a população de Vila Velha, no Espírito Santo, decidiu usar o voto de protesto para chamar a atenção para uma grave crise de saúde pública. Revoltados com uma forte epidemia na região e com a falta de saneamento básico, os eleitores decidiram votar em massa no Mosquito da Dengue (Aedes aegypti).

O inseto transmissor da doença recebeu 29.668 votos escritos nas cédulas de papel. A votação simbólica do mosquito foi maior do que a do candidato vencedor do pleito humano, que acabou assumindo a prefeitura após a anulação obrigatória dos votos dados ao inseto.

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