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Ciência confirma primeiro caso de híbrido entre cachorro e raposa no Brasil

Animal foi resgatado no Rio Grande do Sul após ser atropelado; estudo genético da UFRGS revelou a mistura inédita entre um cão doméstico e um graxaim-do-campo

Da redação
DA REDAÇÃO

01/07/2026 • 05:00 • Atualizado em 01/07/2026 • 05:00

Ciência comprova primeiro animal híbrido de cachorro e raposa no Brasil

Ciência comprova primeiro animal híbrido de cachorro e raposa no Brasil

Reprodução/UFGRS

Um caso raro ocorrido no Rio Grande do Sul colocou o Brasil no centro de uma descoberta científica mundial. Pesquisadores confirmaram a existência do primeiro híbrido entre um cachorro doméstico (Canis lupus familiaris) e um graxaim-do-campo (Lycalopex gymnocercus), espécie popularmente conhecida como raposa-dos-pampas.

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A descoberta, que intrigou a comunidade acadêmica, foi detalhada em um estudo publicado na revista científica Animals. O animal foi encontrado em 2021, na cidade de Vacaria, após sofrer um atropelamento.

Como a ciência provou a genética?

O processo de identificação foi complexo e exigiu uma análise profunda do DNA. A equipe do hospital veterinário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) realizou três etapas para comprovar a origem do animal, como a contagem de cromossomos, teste mitocondrial e o sequenciamento genético.

De acordo com os cientistas, enquanto o cachorro doméstico possui 78 cromossomos e o graxaim-do-campo, 74, o híbrido apresentou 76. O número é a soma exata da metade do material genético de cada progenitor. Os testes da linhagem materna confirmaram que a mãe do animal era um graxaim-do-campo e a análise do DNA revelou uma mistura direta de genes de ambas as espécies, excluindo qualquer possibilidade de ser apenas um animal de uma das raças com mutações.

O animal apresentava um misto de características físicas e comportamentais. Com orelhas largas e pelagem escura, o híbrido demonstrava uma personalidade cautelosa, típica de animais silvestres, mas possuía a capacidade de latir, um traço dos cães domésticos.

Apesar de ter sido reabilitado e vivido sob cuidados especializados, o animal morreu em 2023 por causas naturais. O registro é considerado um marco, pois comprova que, em condições específicas de proximidade, espécies evolutivamente distantes podem cruzar na natureza.

Para especialistas, o caso acende um alerta sobre a importância da preservação dos habitats naturais, visto que o aumento do contato entre animais silvestres e cães domésticos – muitas vezes em áreas urbanas ou rurais em expansão – pode facilitar encontros desse tipo.