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Turismo pet-friendly está em alta, mas animais ainda viajam desprotegidos

Humanização dos animais de estimação impulsiona as viagens em família, mas planejamento de cuidados médicos e imprevistos com cães e gatos ainda é negligenciado por tutores

Da redação
DA REDAÇÃO

29/06/2026 • 16:10 • Atualizado em 29/06/2026 • 16:10

Pets passam a fazer parte de famílias 'multiespécies', mas ainda estão desprotegidos quando o assunto é turismo e sua segurança

Pets passam a fazer parte de famílias 'multiespécies', mas ainda estão desprotegidos quando o assunto é turismo e sua segurança

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Viajar com animais de estimação deixou de ser uma exceção logística para se tornar parte consolidada da rotina de milhares de brasileiros. Impulsionado pelo avanço do conceito de "humanização dos pets", cresce exponencialmente o número de famílias que fazem questão de incluir cães e gatos em roteiros de férias, passeios de fim de semana, feriados prolongados e até mesmo em complexas viagens aéreas nacionais e internacionais.

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Essa forte tendência acompanha de perto o amadurecimento do mercado pet e a expressiva expansão da infraestrutura voltada ao acolhimento desses animais no setor de turismo do país — que hoje vai desde hotéis e restaurantes com selos exclusivos até companhias aéreas e atrações culturais adaptadas.

O crescimento avassalador dessa demanda já é monitorado e validado oficialmente pelas lideranças do setor. Indicadores recentes do Ministério do Turismo revelam que as buscas por hotéis com estrutura pet-friendly saltaram expressivos 238% nos últimos anos, refletindo uma mudança profunda e definitiva no comportamento de consumo e no estilo de vida do turista brasileiro.

A transformação afetiva do ambiente familiar

O mercado turístico nacional corre para se adaptar a uma transformação que é, antes de tudo, emocional e cultural: os pets deixaram o quintal e o papel secundário para ocupar um espaço afetivo central dentro dos lares. A consequência direta disso é a consolidação de um novo perfil de viajante, que exige experiências integradas capazes de acolher e oferecer bem-estar a todos os membros da casa — sem deixar os companheiros de quatro patas para trás.

Contudo, apesar da expansão acelerada do ecossistema pet-friendly, a preocupação real com a proteção médica e a assistência jurídica ou logística durante os deslocamentos ainda caminha em passos lentos. Variáveis críticas, como problemas repentinos de saúde do animal durante o trajeto, extravio de malas de transporte, necessidade urgente de pronto-socorro veterinário em outras cidades ou cancelamentos de última hora por quadros clínicos raramente fazem parte do planejamento financeiro ou logístico dos tutores.

Especialistas alertam que o amadurecimento desse comportamento deve ser o próximo grande passo do setor. À medida que o turismo pet-friendly se profissionaliza, o mercado passa a exigir soluções completas e que ofereçam segurança jurídica e médica.

"A relação entre tutores e pets mudou profundamente nos últimos anos, e isso naturalmente impacta a forma como as pessoas viajam. Hoje, muitos consumidores não consideram mais deixar os animais para trás e buscam soluções que garantam conforto, praticidade e segurança durante toda a experiência", diz Cláudia Brito, sócia diretora da Coris, consultoria de viagens para pets.

Mercado e governo se movimentam

Atento a este novo nicho de mercado, o setor privado já começa a desenhar produtos focados nesta fatia de público. A Coris, por exemplo, posicionou-se como a primeira seguradora a incluir de forma automática a cobertura de seguro viagem pet na contratação de seus planos da categoria VIP e superiores, pavimentando um caminho de proteção assistencial para evitar dores de cabeça longe de casa.

Essa pressão por serviços especializados também tem forçado o próprio poder público a estruturar marcos regulatórios e mapeamentos precisos. Recentemente, o Ministério do Turismo anunciou uma série de iniciativas estratégicas voltadas ao diagnóstico oficial e ao mapeamento detalhado do turismo pet-friendly no Brasil, chancelando definitivamente o segmento como um vetor de crescimento econômico altamente estratégico para os próximos anos.