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Como educar crianças e adolescentes a respeitar animais e evitar violência

ONGs e programas públicos mostram que ensinar crianças a cuidar de animais ajuda a reduzir violência e formar empatia

Da redação
DA REDAÇÃO

03/02/2026 • 10:03 • Atualizado em 03/02/2026 • 10:03

Crianças aprendem a cuidar e respeitar animais em abrigos e escolas

Crianças aprendem a cuidar e respeitar animais em abrigos e escolas

Paulo Pinto/Agência Brasil

A violência contra animais reacendeu um debate nacional nas últimas semanas, após o espancamento do cão comunitário Orelha por quatro adolescentes em Florianópolis (SC). A punição dos envolvidos e a banalização da violência passaram a ocupar o centro das discussões, ao lado de estratégias de prevenção, ressocialização e educação.

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Organizações não governamentais voltadas à proteção animal e a Prefeitura de São Paulo, responsável por um dos maiores programas públicos de adoção do país, defendem que o estímulo ao contato responsável com animais pode ajudar a interromper ciclos de violência, especialmente entre crianças e adolescentes.

O instituto Ampara Animal, que atua há 15 anos com ações de cuidado, debates públicos e apoio a abrigos e centros de adoção, prepara o lançamento da campanha "Quebre o Elo", voltada a chamar atenção para a gravidade da violência contra animais.

A organização parte do pressuposto de que agressões a animais podem refletir outras violências vividas pelo agressor, seja contra si mesmo ou pessoas de seu convívio. Também funcionam como indicador de risco para ataques a grupos mais vulneráveis, como crianças, mulheres e idosos.

Rosângela Gerbara afirma que é necessário abandonar uma visão e uma educação antropocêntricas e defende que a educação, sobretudo quando voltada a crianças e adolescentes, é o principal caminho para transformar para melhor a vida dos animais.

"Chamamos de 'educação humanitária em bem-estar animal' e entendemos como uma solução para criar uma sociedade mais empática, com menos violência e com maior respeito", afirma Rosângela Gerbara, diretora de relações institucionais da entidade.

Segundo ela, a aproximação deve ser gradual, com foco em ensinar a criança a ser gentil com os animais, respeitando o tempo e o comportamento de cada espécie.

A interação, de preferência em ambientes naturais ou próximos ao modo de vida dos animais, ajuda no desenvolvimento da empatia e na compreensão das necessidades do outro.

Outra etapa considerada essencial é romper a visão do animal como objeto ou produto. Viviane Pancheri, voluntária há 15 anos da ONG Toca Segura, que mantém cerca de 400 animais em abrigos no Distrito Federal e em Goiás, relata experiências de educação empática desenvolvidas ao longo de anos em escolas públicas do DF.

É importante que as crianças tenham a percepção de que os animais sentem medo, abandono, felicidade, enfim, que são sencientes [ indivíduos capazes de sentir, perceber o mundo e vivenciar emoções]. Viviane Pancheri

A ONG recebe famílias como voluntárias e promove atividades supervisionadas de convivência com os cães, sempre com atenção ao bem-estar dos animais, muitos deles vítimas de abandono ou maus-tratos.

Lidamos com animais que já passaram por situações de abandono e de violência. Alguns passaram privações, outros têm um pouco mais de dificuldade, são mais arredios.

Entre as estratégias adotadas estão eventos de socialização, como passeios curtos com voluntários, que ajudam os animais a se acostumar com a presença humana e aumentam as chances de adoção. Crianças e adolescentes também participam de feiras, auxiliando nos cuidados básicos.

"Um caso que sempre gosto de contar é o de uma menina que começou a nos ajudar aos 15 anos. Ela tinha medo de cachorro e nos procurou para perder esse medo. Não demorou muito e já conseguia fazer uma série de tarefas de cuidado. Hoje é veterinária", relata.

Segundo Viviane, a supervisão é fundamental para ensinar responsabilidade. "É trazer esses animais para perto, mostrar a importância de ter esse cuidado, de forma supervisionada. Não deixar a criança solta, dizendo olha, isso é errado, isso se faz desse jeito."

No setor público, a Prefeitura de São Paulo mantém um centro municipal de adoção com centenas de cães e gatos. O programa prioriza a guarda responsável e a educação ambiental, com visitas mediadas de grupos escolares.

A criança é um agente multiplicador, leva para sua família e sua comunidade informações e o entendimento de como é importante respeitar os animais. Telma Tavares, gestora do espaço pela Secretaria Municipal de Saúde

O projeto Superguardiões, criado em 2019, funciona por agendamento e recebeu mais de 1.900 visitantes em 2025. Outra iniciativa, o programa Leituras, leva crianças em fase de alfabetização a ler para os animais do centro.

"São ações que facilitam a adoção posterior. Os animais vão se tornando mais dóceis, se acostumando com as visitas. Claro que tomamos o cuidado de selecionar aqueles que não são agressivos, mas esse contato ajuda, inclusive, a conscientizar e educar para práticas sustentáveis", diz Telma.

O processo de adoção segue algumas regras essenciais, indicadas por Telma e Viviane:

  • considerar se todos os membros da família estão de acordo e conscientes das responsabilidades que terão com o animal;
  • pensar de forma realista se a família tem condições de cuidar. Não apenas em relação à questão material, mas também a ter tempo e condições de adaptar a rotina;
  • refletir se o planejamento de vida da família se adequa à adoção;
  • planejar, para evitar abandono e manter cuidados de forma adequada.

Com informações da Agência Brasil.

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