Bandeira dos EUA, Milei e tesouraço: Aldo aponta erros da campanha de Flávio
Para ex-ministro, oposição precisa reconhecer os próprios erros na campanha derrotada em vez de buscar anular eleições
O ex-ministro Aldo Rebelo, que ocupou pastas como Defesa, Ciência e Tecnologia e Esporte nos governos Lula e Dilma e apoiou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), afirmou em entrevista ao Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, que a oposição precisa reconhecer os próprios erros na campanha derrotada contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em vez de buscar a anulação das eleições.
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Oposição deve examinar derrota, não anular eleição
Segundo o ex-ministro, o resultado foi mais fruto de falhas da campanha do que de méritos do governo reeleito, que ele chama de "desastre". Aldo diz que a oposição errou ao agir como se tivesse feito tudo certo, quando na sua visão foi o candidato derrotado quem proporcionou a vitória ao adversário.
"Ao invés de buscar a anulação das eleições, a oposição deveria examinar as razões da sua derrota. Essa que é a verdade. As razões do desastre que é a reeleição do atual governo. Onde foi que a oposição errou? Ou seja, fez tudo certo e perdeu a eleição? Uma eleição que foi ganha no primeiro turno. Eu acho que não. A minha impressão é que o atual presidente não ganhou a eleição. Foi o candidato que saiu do país que perdeu a eleição. E perdeu pelos erros que cometeu. Ou seja, não basta olhar os crimes e os erros do outro lado", afirmou.
Empresários, bandeira dos EUA e Milei na avaliação de Aldo
Para Rebelo, a revisão crítica passa por reconhecer que a campanha adotou símbolos e alianças que não dialogaram com a maioria da população. O ex-ministro criticou declarações de empresários e políticos que defenderam demissões e boicotes a eleitores do atual governo, o que, segundo ele, também configura crime e ajudou a afastar parte do eleitorado.
Ele citou ainda atos em que apoiadores da oposição levaram bandeiras dos Estados Unidos às ruas no 7 de Setembro e a aproximação com o presidente da Argentina, Javier Milei, que classifica como "personagem tóxico". Rebelo também apontou a escolha de porta-vozes ligados ao mercado financeiro, a chamada 'Faria Lima', como outro ponto que contribuiu para a derrota.
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"Tem aí um monte de empresário dizendo que tem que demitir, perseguir, fazendo lista de quem as empresas não podem contratar, quem votou no atual governo. Isso é crime também. Deputada lá do Paraná dizendo que não se pode contratar quem votou na candidatura do Lula. Isso também é crime. Essas pessoas que andaram arrastando bandeira dos Estados Unidos. Ninguém quer os Estados Unidos mandando no Brasil, mas saíram com bandeira dos Estados Unidos no dia da Independência do Brasil. Isso também contribuiu para a derrota. Se abraçar com personagens tóxicos, como esse presidente da Argentina, isso também ajudou na derrota. Então, eu creio, arranjar porta-voz que são porta-vozes da Faria Lima, dos banqueiros, para dizer que precisa cortar o quê? Do lado dos pobres? Eu acho que isso também ajudou na derrota", avaliou.
Discurso de cortes assustou os mais pobres, diz ex-ministro
Na visão de Aldo Rebelo, o governo aproveitou o discurso econômico da campanha de Flávio Bolsonaro para convencer principalmente os mais pobres de que a situação, já difícil, poderia se agravar caso a oposição voltasse ao poder.
Ele afirmou que a escolha de uma "banqueira" (Daniela Marques, ex-presidente da Caixa) como porta-voz para falar de cortes orçamentários fez o eleitor de baixa renda acreditar que o ajuste recairia sobre ele, e não sobre o sistema financeiro.
"É que o governo conseguiu convencer, principalmente os mais pobres, que se a situação é ruim hoje, porque ele (Lula) assumiu que de fato era ruim, poderia ficar pior, porque botaram uma banqueira para dizer que ia ter corte. Quando um banqueiro fala que tem corte, o pobre acha que o corte é do lado dele, não do lado do banqueiro. E a porta-voz da oposição na campanha vivia ali, no colo dos banqueiros, fazendo falas completamente inapropriadas, que foi aproveitada pelo governo para dizer o seguinte: 'Olha, cuidado porque está ruim, mas pode ser pior'", concluiu.
