Corte de gastos: ala social do governo resiste à pressão de núcleo econômico
Com dólar em alta e bolsa em queda, Lula aposta em pronunciamento de pacificação sem anunciar medidas imediatas
O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara um pronunciamento em rede nacional neste domingo (8), em Brasília, para tentar acalmar o mercado financeiro em meio à forte resistência de ministérios da área social a cortes de despesas defendidos pelo núcleo econômico do governo.
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Aliados relatam que, nos bastidores da Esplanada, a ala social não aceita medidas mais duras de contenção de gastos, o que provoca uma queda de braço interna com a equipe econômica, que pressionava por anúncios de impacto imediato ainda antes da próxima viagem internacional de Lula.
O presidente deve começar a formular a nova Esplanada dos Ministérios após retornar da conferência do clima prevista para a semana que vem, o que também influencia o desenho das negociações sobre o ajuste fiscal e a manutenção de programas sociais.
Mercado reage e cobra plano de ajuste
Lula tem tentado enviar recados ao mercado financeiro sobre seu compromisso com a responsabilidade fiscal. Até agora, porém, esses sinais não surtiram efeito consistente.
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Ao longo da semana, o dólar subiu 1,2%, fechando em torno de 5 reais e 50 centavos, enquanto o principal índice da Bolsa de Valores acumula perda de quase 18% (17,82%) em duas semanas, refletindo a percepção de incerteza em relação à estratégia econômica do governo.
Diante desse cenário, setores econômicos cobram um plano mais concreto de ajuste para os próximos anos, com definição clara das metas de controle da dívida pública e das fontes de financiamento para as políticas sociais prometidas na campanha.
Medidas ficam para depois das viagens
As medidas anunciadas pelo governo para reequilibrar as contas públicas só devem sair do papel após 16 de novembro. De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a definição das novas regras para controlar a dívida foi adiada para depois das viagens internacionais do presidente.
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Na semana que vem, Lula embarca para a COP 31, na Turquia, e em seguida participa da Cúpula do Sudeste Asiático, nas Filipinas. A expectativa é que a equipe econômica aproveite esses dias para desenhar alternativas e apresentar propostas finais ao presidente assim que ele voltar ao Brasil.
Pronunciamento aposta em pacificação
Enquanto isso, Lula tenta reduzir a tensão com um pronunciamento oficial em rádio e TV neste domingo. Na mensagem já gravada na última quinta-feira, ele prega a pacificação após a disputa eleitoral acirrada e reafirma o compromisso com a sustentabilidade das contas públicas, sem detalhar medidas práticas.
Antes da gravação, o presidente se reuniu com ex-ministros e economistas aliados para discutir o cenário fiscal. Segundo interlocutores, Lula aproveitará o discurso para garantir a manutenção de programas sociais e agradecer aos eleitores pelos votos que garantiram a virada no segundo turno e sua reeleição.
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O objetivo central da fala é acalmar os ânimos do mercado financeiro e afastar temores de um eventual estelionato eleitoral. Na visão de assessores, Lula pretende defender que é possível conciliar o ajuste fiscal com a preservação das políticas sociais e com o cumprimento das promessas feitas durante a campanha, em um apelo por união nacional após o resultado apertado das urnas.
