
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Laurent Gillieron/Pool via REUTERS
O Departamento de Estados dos Estados Unidos negou neste sábado (25) que o país tem interesse em interferir nas eleições federais e estaduais de 2026 no Brasil após o Itamaraty negar os vistos de dois diplomatas do país.
A decisão veio depois de uma reportagem do The Washington Post apontar que Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente do Departamento de Estado dos Estados Unidos, seriam responsáveis por criar estratégia que contesta a integridade e confiança do sistema eleitoral brasileiro.
EUA esclarece viagem de diplomatas ao Brasil
Segundo informações da Reuters, uma fonte do Departamento de Estados dos EUA confirmou que os Barnes e Samson planejavam uma viagem de rotina ao Brasil entre os dias 27 e 30 de julho.
O motivo da viagem seria para cumprir uma agenda de reuniões com "autoridades governamentais, líderes religiosos e representantes da sociedade civil para falar de integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão".
A mesma fonte rejeitou que a visita faça parte de uma "manobra" para interferir ou descredibilizar as eleições no Brasil, alegando que esta é uma acusação "infundada". Diz ainda que os termos da viagem estavam em conformidade com o mandato legal do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho.
Fontes do Itamaraty destacaram que o Governo Federal tomou conhecimento no dia 20 de julho do interesse do Departamento de Estado de vir ao Brasil para tratar "questões relacionadas a liberdade de expressão voltadas às eleições".
Fontes do Itamaraty afirmaram à Band que os vistos foram negados por conta da proximidade das datas entre o pedido do visto com a disseminação de notícias falsas sobre a urna eletrônica por parte do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Flávio Bolsonaro disseminou fake news sobre urnas
A visita dos diplomatas aconteceria dias depois de Flávio Bolsonaro citar informações falsas sobre as urnas eletrônicas em um encontro com embaixadores. A tentativa era de colocar em dúvida a integridade do processo eleitoral brasileiro. Na mesma reunião, Flávio pediu para que países enviassem olheiros para acompanhar a votação de perto.
Desta forma, Flávio busca empregar a mesma tática de seu pai, Jair Bolsonaro, em 2022, após perder as eleições para o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-presidente Bolsonaro, preso por tentativa de abolição abrupta do Estado Democrático, foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por atacar o sistema eleitoral e foi declarado inelegível até 2030.
O movimento também acontece semanas depois de uma visita de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, em que participou de uma audiência pública no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos para tratar do tarifaço e “defender o Pix”.
Os interesses da viagem geram desconfiança em meio a tentativas de Trump de descredibilizar sistemas eleitorais de outros países, sobretudo na América Latina. Ele tem buscado ampliar o poder da extrema-direita na região, movimento que vem sendo chamado de "Onda Azul".
Além de Jair e Flávio Bolsonaro, o presidente dos Estados Unidos apoiou abertamente os presidentes Javier Milei, da Argentina, José Antônio Kast, do Chile, e Albelardo De La Espriella, eleito na Colômbia.
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