
Flávio Bolsonaro
REUTERS/Adriano Machado
O senador Flávio Bolsonaro (PL) se reuniu nesta quarta-feira (1) com lideranças femininas do partido para tentar acalmar os ânimos após os atritos entre ele e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que acabou com a sua saída do PL Mulher. No evento que ocorreu em Brasília, o pré-candidato à Presidência rebateu as declarações do jornalista Paulo Figueiredo a respeito do eleitorado feminino. O parlamentar classificou a fala do comentarista como equivocada e enfatizou que o aliado não compõe o quadro oficial da sua campanha eleitoral.
"Eu quero, aqui, repudiar veementemente a fala do Paulo Figueiredo sobre as mulheres. Não concordo com o que ele falou. Completamente equivocado. Ele não faz parte da nossa campanha. Óbvio, uma pessoa que nos ajuda muito lá nos Estados Unidos, nas pautas que nós temos nos Estados Unidos junto com meu irmão, e ele trabalha, ajuda, tanto é que estava em diversos momentos importantes ao nosso lado lá. E, em função disso, é que as pessoas tentam colocar no meu colo uma fala que não é minha", iniciou o senador.
O influenciador, ex-comentarista da Jovem Pan e neto de João Baptista Figueiredo, o último presidente da ditadura militar brasileira, afirmou que mulheres solteiras "votam mal" em live publicada no YouTube. “Mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas em geral tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras não. Isso que eu tô dizendo, pode arrancar os pentelhos das calcinhas, pode fazer o que você quiser”.
Durante o evento, que contou com a presença de representantes de 20 estados, Flávio Bolsonaro fez questão de marcar posição diante da repercussão do caso. Segundo o senador, a generalização feita pelo jornalista sobre a capacidade de voto das mulheres é ofensiva e não reflete os valores defendidos pelo seu grupo político.
O parlamentar explicou que se sentiu pessoalmente ofendido pela forma como as mulheres foram mencionadas no episódio. "Eu não tenho responsabilidade sobre o que ele fala, mas tenho a obrigação de falar aqui que eu me senti ofendido com a fala, a partir do momento que ele generaliza e fala das mulheres, inclusive, está falando da minha esposa. A minha esposa também está incluída nesse pacote de mulheres que 'não sabem votar'. E nunca ele poderia dizer que é a culpa das mulheres", completou.
Foco na comunicação com o eleitorado feminino
Para Flávio Bolsonaro, a baixa adesão de parte do público feminino às propostas da direita não pode ser atribuída a uma incapacidade das eleitoras, mas sim a uma falha na estratégia comunicacional do próprio partido. "Se as pesquisas mostram que tem muitas mulheres que ainda não estão votando conosco, é falta de competência minha. É a falta de comunicação que nós, todos da direita, temos que acabar com essa falta de comunicação, nós temos que melhorar nossa comunicação", avaliou.
O senador pontuou que o caminho para reverter esse cenário passa pelo diálogo e pela demonstração clara de que as pautas do grupo político atendem aos anseios desse público.
"A partir do momento que a gente conseguir ter esse diálogo aberto com todas as mulheres, mostrar que as pautas que elas são favoráveis são as mesmas pautas que a direita defende, é assim que a gente vai resolver. Não é acusando as mulheres de não saberem votar. É mostrando para a maioria das mulheres que nós somos o melhor, que nós temos as melhores propostas, que nós defendemos as mulheres de verdade, que nós vamos cuidar das mulheres de verdade", concluiu.
Jornalista se pronuncia
Minutos depois da fala de Flávio, Paulo Figueiredo usou suas redes sociais para comentar o assunto, disse que o pré-candidato “fez bem” em repudiar a sua fala e que seguirá o apoiando apesar de “divergências pontuais”.
“Flávio fez muito bem em repudiar a minha fala publicamente. Está correto em fazê-lo (embora errado materialmente no assunto). Também está correto em dizer que não faço - e nem quero fazer - parte da sua campanha. Sou um comentarista que o apoia como eleitor. O que ele fala é problema dele e o que eu falo é problema meu. Se eu algum dia não puder comentar a realidade como a vejo, tenho que abandonar o meu ofício. E agora? Devo parar de apoiá-lo, como fazem alguns? É claro que não. Flávio é a melhor opção para homens e mulheres de bem do Brasil. O que está em jogo é muito maior do que divergências pontuais. Da minha parte, nada muda e o apoio permanece o mais entusiasmado possível”, disse.
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