
Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro
Reprodução/X/FlavioBolsonaro
O deputado federal Mário Frias (PL-SP) protocolou uma representação criminal na Procuradoria-Geral da República (PGR) e na Polícia Federal nesta segunda-feira (29), em Brasília. O parlamentar pede a investigação de uma suposta estrutura digital coordenada que gastou mais de R$ 1,1 milhão para impulsionar ataques ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
De acordo com o documento apresentado, os ataques partiram de pelo menos sete perfis no Facebook e no Instagram que se apresentavam de forma opaca como veículos de jornalismo independente. Páginas como ‘Radar do Planalto’, ‘Dossier Brasil 24h’ e ‘O Contra-Fluxo’ reúnem menos de 400 seguidores cada, mas declararam investimentos publicitários incompatíveis com o alcance orgânico.
Suspeita de atuação coordenada
A representação aponta indícios de coordenação técnica e compartilhamento de infraestrutura entre os perfis falsos. Os registros cadastrais junto à plataforma Meta foram realizados em datas próximas, entre 22 e 23 de abril de 2026, com contatos telefônicos vinculados ao DDD 41, do Estado do Paraná.
Além disso, os sites dessas páginas teriam sido hospedados em sequência na plataforma Hostinger e vinculados a páginas genéricas em língua espanhola. A apuração aponta que as publicações usavam legendas neutras para driblar os algoritmos das redes sociais e dificultar o rastreamento dos reais financiadores.
Na visão do deputado, a operação utilizava uma segmentação geográfica estratégica direcionada a colégios eleitorais importantes. Um único anúncio alcançou até 350 mil impressões, distribuídas majoritariamente entre os estados de São Paulo (53%) e Minas Gerais (46%).
Pedido de quebra de sigilo
Diante disso, Mário Frias pede que a PGR requisite formalmente à Meta os dados cadastrais, meios de pagamento e identificadores internos de campanha das páginas. O parlamentar também solicitou o envio de cópia ao Ministério Público Eleitoral para apurar possíveis ilícitos eleitorais conexos, como abuso de poder econômico.
Para o congressista, o financiamento oculto opera como uma blindagem ilegal dos verdadeiros autores. Ele defende que a volatilidade e a curta duração das contas serviam para apagar rastros e dispersar a fiscalização institucional.
Em declaração oficial anexada à representação, o deputado Mário Frias criticou a conduta dos administradores das páginas. "Montaram uma máquina de mentiras paga para atacar a direita e se esconderam atrás de páginas fantasmas. Quem age às claras assina embaixo. O Brasil tem o direito de saber de onde veio esse dinheiro e a serviço de quem".
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