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Investigadores recebem com surpresa negativa da delação de ex-BRB pela PGR

Segundo uma fonte da Polícia Federal, só se tiver materiais que estão em sigilo, que nem eles têm acesso, para justificar a negativa da delação

Thayane Melo
THAYANE MELO

29/06/2026 • 12:50 • Atualizado em 29/06/2026 • 12:50

Bastidores de Brasília
Paulo Henrique Costa

Paulo Henrique Costa

Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

Investigadores da Polícia Federal que estão na ponta das apurações do caso Banco Master, que tem um entendimento diferente de quem está tomando as decisões, receberam com grande surpresa a negativa da delação de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR).

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Segundo uma fonte da Polícia Federal, só se tiver materiais que estão em sigilo, que nem eles têm acesso, para justificar a negativa da delação.

A avaliação dos investigadores segue sendo a mesma de quando o esboço foi entregue: material muito robusto, com anexos que citavam pessoas que não haviam sido reveladas. O que não dá pra afirmar, segundo fontes, é de que não houve fato novo levado pelo ex-presidente do BRB.

Nos bastidores da classe política de Brasília, há desconfiança de que uma figura de grande relevância para o Distrito Federal, que sabe que será um dos próximos alvos da Operação Compliance Zero, entrou no circuito para segurar a delação. A definição é que será questão de tempo para a Polícia Federal também negar a delação.

PGR rejeita delação de Paulo Henrique Costa

A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou, na última quinta-feira (25), a proposta de delação premiada apresentada por Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. O documento segue sob análise da Polícia Federal (PF), mas a tendência é que a corporação também a rejeite.

Num primeiro momento, os investigadores apontaram que a proposta de delação parecida ser ‘robusta’ e que incluiria personalidades políticas, principalmente do Distrito Federal. A expectativa era que a delação passaria muito além de uma fraude entre os bancos, BRB e Master.

Paulo Henrique Costa foi preso em 16 de abril de 2026, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. Ele é suspeito de envolvimento em um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira e organização criminosa.

O ex-presidente esteve à frente do BRB a partir de 2019 e já havia sido afastado do cargo pela Justiça no final de 2025, durante a primeira fase da mesma operação, quando foi alvo de mandados de busca e apreensão. Ele é suspeito de facilitar a aquisição do BRB de carteiras de crédito do Banco Master sem lastro ou garantias.

A Polícia Federal interpreta como propina o recebimento, por parte de Costa, de seis imóveis de luxo que totalizariam R$ 146,5 milhões, cedidos por Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Além disso, a investigação aponta que a parceria de Costa e Vorcaro resultou em um prejuízo estimado em cerca de R$ 20 bilhões aos cofres do BRB.

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