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Michelle Bolsonaro se afasta do PL Mulher e ameaça deixar disputa ao Senado

Ex-primeira-dama diz estar ""estafada" e reclama de não ser ouvida pela cúpula do PL

CAIÃ MESSINA

30/06/2026 • 17:14 • Atualizado em 30/06/2026 • 19:50

Bastidores de Brasília

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, se reuniu com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na tarde desta terça-feira (30) para tentar aparar as arestas após o conflito familiar gerado entre a pré-candidata ao Senado e o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.

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Em conversa ocorrida na sede do partido, Michelle Bolsonaro ameaçou colocar sua pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal “à disposição”, alegando cansaço e falta de espaço nas decisões da legenda. A esposa do ex-presidente reclamou “não estar sendo ouvida” internamente.

Michelle também pediu para deixar a presidência do PL Mulher. Valdemar ainda fez um apelo para mantê-la no cargo, mas a ex-primeira dama disse que "está sem tempo" diante dos cuidados de saúde que Bolsonaro necessita. Ficou acertado, então, o seu “afastamento temporário”. Vale lembrar que é a segunda vez que ela deixa momentaneamente o cargo - a primeira foi a na ocasião da prisão do ex-presidente, em novembro de 2025.

Presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e a presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro (foto : Beto Barata/ PL)

Presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e a presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro (foto : Beto Barata/ PL)

Ameaça de rever projeto ao Senado

Segundo relatos de dirigentes partidários, Michelle afirmou ao comando do PL que se sente "estafada" e que o processo de construção de sua candidatura não tem ocorrido da forma que esperava.

Ao dizer que poderia deixar sua pré-candidatura “à disposição”, a presidente do PL Mulher sinalizou que está disposta a rever o projeto caso não haja mudanças na condução interna. A frase foi interpretada como um recado direto à direção nacional e às lideranças locais do PL.

Michelle é hoje o principal nome cogitado pelo partido para disputar uma vaga ao Senado pelo DF nas próximas eleições gerais. A sigla vê nela um ativo eleitoral importante para mobilizar o eleitorado conservador alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Leitura da cúpula e próximos passos

Apesar do tom de ameaça, dirigentes do PL avaliam que o movimento de Michelle é uma “tentativa de se cacifar” internamente, ampliando sua influência nas decisões da sigla. Eles ressaltam que ainda falta muito tempo para a eleição e que o cenário pode mudar.

Para a cúpula do partido, o episódio não altera, por ora, o plano de lançá-la ao Senado pelo DF. A direção afirma que as conversas irão continuar e que Michelle seguirá sendo tratada como pré-candidata da legenda, enquanto o PL ajusta sua estratégia para o pleito.

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