Guilherme Derrite quer classificar PCC e CV como facções terroristas

Ex-PM e deputado federal, Derrite é pré-candidato ao Senado pelo estado de São Paulo

Da redação

Por Da redação

Guilherme Derrite quer classificar PCC e CV como facções terroristas
Guilherme Derrite
BandNews TV

Guilherme Derrite (PP), pré-candidato ao Senado pelo estado de São Paulo, foi sabatinado na tarde desta segunda-feira (18) pela BandNews TV, e afirmou que sua principal bandeira, "ideal de vida", foi e sempre será a Segurança Pública e destacou que isso pode ser um fator para atrair o eleitor de centro, já que se trata de uma pauta suprapartidária. 

“[Essa pauta] não é de direita, ela não é de esquerda, ela não é de centro, é uma pauta que aflige. Tive a experiência de ver que o principal problema da segurança pública é a fragilidade da legislação, uma lei fraca que faz com que os criminosos no Brasil continuem atuando impunes”, afirmou o pré-candidato, destacando que não mudaria suas convicções para atrair eleitor. 

“É óbvio que eu não vou mudar, eu sou conservador, sou cristão. Eu sou católico praticante, eu sou um deputado de direita, sou ligado, obviamente, ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), do qual fui secretário de Segurança Pública por três anos e fui vice-líder do governo do presidente Jair Bolsonaro, ou seja, eu sou um parlamentar de direita”. 

Ex-policial militar, ele também é conhecido como capitão Derrite, tendo atuado como deputado federal de 2019 a 2023. Já de 2023 a 2025, comandou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo na gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). 

Durante o período em que foi secretário, Derrite esteve licenciado do cargo de deputado federal, voltando a ele no final de 2025. Atualmente, integra comissões como a de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e a de Constituição e Justiça (CCJ). 

Ainda focado na segurança pública, Derrite também defendei, na sabatina, que as organizações criminosas, como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) sejam classificadas como facções terroristas. Segundo ele, isso seria essencial e apropriado, já que esses grupos estariam ameaçando a soberania nacional em áreas deflagradas. 

A BandNews TV faz nesta semana uma série de sabatinas com os pré-candidatos ao Senado pelo estado de São Paulo. As entrevistas acontecem sempre às 13h, no programa No Meio do Dia. 

Veja abaixo o que o pré-candidato Guilherme Derrite falou sobre cada um dos principais assuntos debatidos no encontro. 

"Legislação fraca"

"O policial, não é que ele tenha a sensação, ele tem a certeza que está enxugando o gelo. Então, audiência de custódia, visita íntima, auxílio-reclusão, saída temporária que nós conseguimos acabar para os crimes novos e progressão do regime do cumprimento de pena. É um histórico muito ruim que o legislador, ao longo dos anos, foi incorporando no ordenamento jurídico e é por conta desses vários benefícios benevolentes que nós temos reincidência criminal.

O Brasil se tornou o paraíso da impunidade. Então, para um crime grave como latrocínio, como estupro, como tráfico de drogas e como homicídio, a pena tem que ser altíssima. Sem direito a qualquer um desses benefícios que eu mencionei anteriormente. É inadmissível um criminoso ser condenado a 36 anos de homicídio e ser liberado, como eu mencionei no exemplo anterior. 

Ai, roubou 24 vezes, condenado a 182 anos de prisão e está sendo beneficiado saindo pela porta da frente dos presídios como foi o caso por uma decisão judicial de um dos maiores líderes do tráfico internacional de drogas aqui do PCC. O André do Rap saiu pela porta da frente dando risada da nossa cara, então o que precisa ser feito no nosso país é promover uma reforma legislativa robusta."

Áreas deflagradas 

"Minha opinião é muito clara, e membros do PCC e do Comando Vermelho devem, sim, ser classificados como terroristas, porque é o que eles são. É inadmissível e com todo respeito aos juristas ou especialistas, ou a quem se diz especialista em segurança pública, podem ser estudiosos, mas eu estou falando de quem viveu lá na ponta da linha o combate ao crime organizado. 

Nós vivemos num país em que cerca de 19% da população mora e vive em áreas dominadas, territórios dominados por organizações criminosas. Estou falando de áreas onde um membro do Comando Vermelho, por exemplo, no Rio de Janeiro, ele chega para uma menina de 15, 16 anos e fala que ele, como traficante, membro dessa organização criminosa, ele quer namorar aquela menina.

E se essa menina não aceita, ela é morta, o pai é morto, eles são expulsos de casa ou fogem de casa para que nenhum membro da sua família seja executado. E o governo federal fecha, tapa os olhos como se isso não fosse terrorismo. Se isso não for terrorismo, eu não sei o que é.

Estou falando de regiões em que existem barricadas, que para a força policial entrar demora cerca de três horas, e nós precisamos de 300, 400 policiais. Então já existe, a nossa soberania nacional já está sendo contestada."

Facções terroristas

"Já existe um território paralelo que foi sendo criado, aos poucos, em alguns estados da federação. Graças a Deus, aqui em São Paulo isso não acontece. Graças ao trabalho das polícias, graças às operações que nós fizemos, Operação Escudo, Operação Verão na Baixada Santista, nós conseguimos retomar territórios antigamente dominados pelo crime organizado, a exemplo da Cracolândia, que foi a única gestão, a gestão do governador Tarcísio de Freitas, que conseguiu resolver essa chaga de três ou quatro décadas.

Então, deixar muito claro aqui que o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, sim, devem ser classificados como organizações terroristas. É um equívoco achar que a classificação dessas organizações criminosas como terroristas vai implicar numa fragilidade para a soberania nacional e que, eventualmente, os Estados Unidos podem invadir o Brasil.

Isso não é verdade. Eles estariam desrespeitando uma série de acordos e tratados internacionais. Nós temos que estar sentados na mesa de grandes países que querem resolver o problema do narcoterrorismo. Por exemplo, Argentina, El Salvador, Chile, Estados Unidos, eles formaram o chamado Escudo das Américas, estão dividindo informações de inteligência, há cooperação internacional para controlar e combater o crime organizado e o Brasil sequer foi chamado para participar, porque o atual governo federal não entende que o PCC e o Comando Vermelho são organizações terroristas.

Então, eu sou muito claro na minha posição, PCC e Comando Vermelho têm sim que ser classificados como organizações terroristas."

Relação com Bolsonaro

“A ligação com o ex-presidente Jair Bolsonaro [PL] foi porque eu fui vice-líder do governo na Câmara. Fui deputado junto com Eduardo Bolsonaro (PL) e trabalhava com o senador Flávio Bolsonaro (PL) no Senado. Então, acompanhei a trajetória política do Flávio Bolsonaro. Acho que essa questão já está mais do que esclarecida da parte dele, foi uma relação privada. E a minha escolha como um dos pré-candidatos ao Senado desse grupo da direita em São Paulo não foi uma escolha única da família Bolsonaro, foi, sim, do governador Tarcísio de Freitas, majoritário do Senado.”

Assista sabatina na íntegra

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