Band Política

Lula e Trump se reúnem na Casa Branca; assista ao vivo na BandNews TV

Presidentes de Brasil e EUA têm segundo encontro presencial em tentativa de aproximação

Da redação
DA REDAÇÃO

07/05/2026 • 06:07 • Atualizado em 07/05/2026 • 17:04

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump realizaram nesta quinta-feira (7) uma reunião na Casa Branca em uma tentativa de aproximação após uma série de atritos. Essa é a segunda vez que os líderes do Brasil e dos Estados Unidos se encontram de forma presencial.

Compartilhar

Lula chegou à Washington, capital americana, na noite de quarta-feira em uma comitiva com cinco ministro e com o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A reunião teve início no Salão Oval, pouco depois das 12h, e durou em torno de três horas. A coletiva de imprensa que era prevista foi cancelada.

A avaliação no Palácio do Planalto era, mesmo antes do encontro, de que esse momento público pode ser importante para marcar politicamente o encontro e dar o tom das negociações bilaterais. Há, no entanto, um receio sobre os impactos das falas dos chefes de estado.

Apesar de os presidentes não falarem com a imprensa, Lula deve falar com jornalistas na Embaixada brasileira. A visita de Lula, segundo a Casa Branca, seria para uma reunião de trabalho, o que diminuiu a formalidade do encontro, mas ampliava a possibilidade de negociações entre os países.

Histórico turbulento

As relações entre Lula e Trump passou por momentos turbulentos desde que o presidente americano tomou posse como presidente, em janeiro de 2025. Os problemas incluíram o tarifaço americano, o apoio do republicado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e até a expulsão de um delegado da Polícia Federal dos EUA.

Em julho do ano passado, Trump anunciou taxa de 50% “sobre todas as exportações brasileiras enviadas para os EUA”, provocando tensões comerciais entre os dois países. Na ocasião, o presidente americano citou práticas comerciais desleais” do Brasil e criticou o julgamento de Bolsonaro no STF.

Antes disso, Trump já tinha afirmado que o Brasil estava "agindo de forma terrível no tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Eu observei, assim como o mundo, como eles não fizeram nada além de persegui-lo, dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano".

As atitudes do americano fizeram Lula subir o tom, dizendo que a democracia no Brasil é um assunto apenas do povo brasileiro e que o país não aceitará “interferência ou tutela de quem quer que seja”. “Somos um país soberano. Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja.”

Na época, Lula e Trump se encontraram presencialmente na Malásia para discutir, principalmente, questões comerciais. Na reunião, que durou cerca de 50 minutos, Lula disse que “não há motivo para conflito”. Já Trump afirmou: "Acho que chegaremos a uma conclusão com o Brasil bem rapidamente".

Mais recentemente, foi a expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho dos EUA que voltou a estremecer as relações dos dois países. A administração Trump afirmou na ocasião que ele tentou “manipular o sistema de imigração” com a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos EUA.

"Nenhum estrangeiro pode manipular o sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território americano", afirmou o setor responsável se referindo à prisão de Ramagem, que é considerado foragido da Justiça brasileira, pela polícia de imigração.

Pontos de discussão

Um dos temas prioritários seria a segurança pública. Os Estados Unidos têm defendido a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, proposta que enfrenta resistência do governo brasileiro. O Planalto avalia que o enquadramento jurídico não é adequado dentro da legislação brasileira.

Apesar da divergência, o governo Lula pretendia avançar na cooperação com os Estados Unidos para combater o tráfico internacional de drogas, o contrabando de armas e a atuação de facções criminosas com impacto nos dois países. A expectativa da comitiva era sair da reunião com algum acordo fechado ou ao menos com negociações avançadas nessa área.

Outro eixo estratégico seria o debate sobre minerais críticos e terras raras. O governo brasileiro queria chegar aos Estados Unidos com a regulamentação do setor aprovada pela Câmara dos Deputados, e o texto foi aprovado de forma simbólica na quarta-feira (6), e é tratado pelo Planalto como um ativo relevante na negociação com Washington.

As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos também estariam na pauta. O governo pretendia discutir investimentos e ampliar negócios bilaterais, além de defender o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central e alvo de questionamentos de setores americanos que alegam impactos sobre empresas dos Estados Unidos.