
O presidente Lula em entrevista ao podcast Inteligência Limitada
Reprodução/YouTube
Nesta quinta-feira (31), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou sobre a possibilidade dos Estados Unidos interferirem nas eleições presidenciais de 2026 no podcast Inteligência Limitada.
Ele diz que não descarta que o governo de Donald Trump faça esforços para influenciar votos, mas afirma não temer impactos. As declarações ocorrem em meio a um momento de forte fricção diplomática e comercial entre os dois países.
“Eles vão tentar interferir aqui, vão tentar ajudar o lado de lá [em referência a Flávio] ganhar as eleições. Eu não estou preocupado com isso. [...] Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo. Nós vamos ganhar na narrativa. Cada mentira contada a respeito do Brasil, nós vamos desmascarar”, afirmou o presidente.
Lula ainda afirmou que, por mais que saiba que Trump tem preferência por Flávio para vencer as eleições, teve uma relação pessoal “muito boa” com o presidente norte-americano. As críticas mais contundentes foram feitas contra o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Lula disse que Rubio “não gosta do Brasil e da América Latina”. Ainda afirmou que os Estados Unidos querem que “a América Latina volte a ser quintal” pertencente a eles.
“O que posso dizer é que, se ele [Trump] quiser vir apoiar eleitoralmente, que venha. Agora, nós vamos ganhar as eleições”, disse Lula.
‘Se urna fosse fraude, eu jamais teria sido eleito’
No podcast, Lula defendeu a segurança da urna eletrônica, que é alvo frequente de ataques por parte de Trump e do governo norte-americano, mas também de seus adversários políticos. Em julho, Flávio Bolsonaro apresentou informações falsas ao questionar a integridade das urnas em um encontro com diplomatas estrangeiros.
“Se a urna eletrônica permitisse fajutagem, esse ser humano que te fala aqui não seria Presidente da República”, afirmou Lula, em referência a ele próprio. “Jamais a elite política brasileira iria deixar um metalúrgico ganhar as eleições. Jamais. A prova que tenho da seriedade da urna eletrônica é essa”, completou.
Entenda ofensiva dos EUA contra Brasil
Nas últimas semanas, a Casa Branca impôs um "tarifaço" de até 37,5% sobre produtos brasileiros sob justificativas protecionistas e alegações de falhas na fiscalização de trabalho forçado, medida que levou o Brasil a acionar a OMC por discriminação.
No campo político, o Itamaraty negou visto a dois diplomatas enviados pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, após identificar indícios de uma tentativa da Casa Branca de criar relatórios para colocar em xeque o sistema eleitoral brasileiro.
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