Band Política

Bolsonaro vai negar ciência de vídeo com IA para evitar retorno à prisão

Defesa do ex-presidente teme que ele perca o direito à prisão dominicilar caso tenha autorizado o uso de sua imagem

CAIÃ MESSINA

29/07/2026 • 14:44 • Atualizado em 29/07/2026 • 14:53

Bastidores de Brasília
Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro

REUTERS/Adriano Machado

A defesa de Jair Bolsonaro (PL) vai informar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o ex-presidente não sabia do uso de sua imagem e voz geradas por inteligência artificial (IA) na convenção do PL. Com isso, os advogados sustentarão que medidas mais duras "não são necessárias", pois, na visão da defesa, "não houve descumprimento das cautelares impostas".

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O maior receio da equipe jurídica é que Moraes interprete o episódio como uma violação direta e determine o retorno de Bolsonaro ao regime fechado, na Papuda.

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) já foi alertada sobre essa estratégia e admite que "existe grande chance de punição eleitoral", uma vez que o avatar teria sido gerado sem o conhecimento do ex-presidente. Contudo, a aposta do partido é que as sanções da Justiça Eleitoral se limitem a uma multa e à retirada definitiva do material do ar.

O esclarecimento responde à decisão de Moraes, que deu 48 horas para a defesa de Jair Bolsonaro explicar se houve autorização para o pronunciamento simulado. Segundo o ministro, o caso apresenta dois cenários:

  • Com autorização: Configuraria nova transgressão à ordem judicial que proíbe Bolsonaro de divulgar manifestos político-eleitorais, podendo levar à reversão da sua prisão domiciliar para o regime fechado;
  • Sem autorização: A conduta seria caracterizada como "deep fake", transferindo a responsabilidade jurídica e eleitoral para o senador Flávio Bolsonaro e para o próprio PL.

Os partidos PT, PV e PCdoB protocolaram ações no TSE e no STF contra o vídeo, classificando o episódio como um "consciente desprezo pela ordem judicial" e propaganda antecipada. O grupo pede uma multa de R$ 30 mil e destaca o "elevado grau de realismo" da peça, que teria grande poder de influenciar o eleitorado.

Já a defesa de Flávio Bolsonaro sustenta que não houve irregularidade, alegando que o uso da tecnologia foi feito de forma transparente durante o evento.

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