
Vídeo feito com uso de IA com Bolsonaro e exibido na convenção do PL
Taba Benedicto/Estadão Conteúdo
A Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e enviou notícia ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a exibição de um vídeo gerado por inteligência artificial com a imagem e a voz de Jair Bolsonaro, apresentado na convenção nacional do PL no sábado (25) em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Na peça encaminhada ao STF, o grupo sustenta que Bolsonaro descumpriu ordem judicial ao participar, ainda que de forma virtual, de um ato político-eleitoral. O ex-presidente cumpre pena em prisão domiciliar por condenação criminal, está com os direitos políticos suspensos e está proibido de se manifestar sobre política ou eleições.
Ao TSE, a federação afirma que a exibição do material configurou propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial, em desacordo com normas da Justiça Eleitoral. O vídeo recriou a imagem e a voz de Bolsonaro pedindo apoio à candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto.
Ações simultâneas no TSE e no STF
Na notícia de descumprimento enviada ao STF, o PT argumenta que a situação ultrapassa o limite da liberdade de expressão. Segundo o texto, "não se cuida de simples manifestação do pensamento, mas de manifesto político-eleitoral difundido por terceiros, elaborado por inteligência artificial, denotando premeditação, coordenação e consciente desprezo pela respeitável ordem judicial".
Para a federação, a participação de Bolsonaro no evento do PL, ainda que por vídeo sintético, afronta diretamente as restrições impostas pela Justiça. O grupo busca que o Supremo reconheça a violação e avalie eventuais consequências penais e eleitorais desse episódio.
Uso de inteligência artificial na convenção do PL
O vídeo exibido na convenção do PL utilizou recursos de inteligência artificial para reproduzir, com aparência de discurso inédito, a imagem e o áudio de Jair Bolsonaro, como se ele estivesse presente pedindo votos para o filho. O PT sustenta que esse tipo de conteúdo sintético exige transparência e controles adicionais em atos de campanha.
A federação pede ao TSE a retirada do vídeo de todas as postagens relacionadas ao evento e a aplicação de multa de R$ 30 mil à candidatura de Flávio Bolsonaro. O grupo ressalta que o uso dessas ferramentas em ambiente eleitoral não pode servir para contornar decisões judiciais nem para ampliar a influência de lideranças impedidas de atuar politicamente.
Federação aponta alto poder de persuasão
Nos autos, a Federação Brasil da Esperança afirma que o vídeo recria "com elevado grau de realismo, a imagem e a voz do ex-Presidente, conferindo maior autenticidade aparente, impacto emocional e poder persuasivo à mensagem eleitoral". Para o grupo, essa combinação potencializa a capacidade do conteúdo de influenciar a formação da vontade do eleitor.
O caso se insere no debate mais amplo sobre o uso de inteligência artificial em campanhas e convenções partidárias. As ações no STF e no TSE podem balizar futuras decisões sobre limites e responsabilidades no emprego de conteúdos gerados por máquinas em disputas eleitorais, especialmente quando envolvem personagens com restrições impostas pela Justiça.
Com informações do Estadão Conteúdo.
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