
Pioneirismo e tradição: por que a Band abre os debates eleitorais
Reprodução/Band
Desde julho de 1989, quando promoveu o primeiro debate presidencial televisivo do país em São Paulo, o Grupo Bandeirantes se firmou como referência ao abrir o calendário dos confrontos entre candidatos.
A cada eleição, esse papel de largada oficial das campanhas se renova nos estúdios da Band.
17 de julho de 1989: o dia em que a Band fez história na democracia
Aquela noite de 17 de julho de 1989 ocorreu em um momento decisivo para a democracia brasileira, após quase três décadas sem eleição direta para presidente da República.
No estúdio da emissora, candidatos de diferentes campos ideológicos se enfrentaram ao vivo em rede nacional, com forte expectativa em torno da retomada plena da democracia.
Diretor de jornalismo da Band, Fernando Mitre relembra o clima daquele encontro em seu livro Debate na Veia. Ele conta que, como jovem repórter, cobrira o comício de João Goulart em março de 1964 e testemunhara o fim da democracia brasileira.
“Eu vivi o final da democracia em 1964 como jornalista, vi a democracia morrendo, depois vi a democracia renascendo em 1984 e depois vi ela se consolidar nos estúdios da Band no primeiro debate", afirma Fernando Mitre na publicação.
Para o jornalista, o debate de 1989 simbolizou a consolidação do regime democrático.
"Não há como não se emocionar ainda hoje, quando, volta a memória a cena histórica daquele julho de 1989, nos estúdios e na tela da Band, o desfile inédito de todas as ideias e bandeiras ideológicas, o primeiro, na televisão, da vida política do país", descreve Mitre no livro Debate na Veia.
Os bastidores para manter a "casa do debate"
O resultado visível aparece no dia do debate, mas o processo começa muito antes.
A preparação para cada debate tem início já em janeiro do ano eleitoral, com reuniões sucessivas entre representantes dos partidos, equipes da emissora e áreas técnicas envolvidas na cobertura.
Nesses encontros, as siglas discutem calendário, regras de participação, formatos de perguntas e critérios de réplica e tréplica. O objetivo é estabelecer, em comum acordo, um ambiente que assegure isonomia absoluta entre os candidatos, tanto em tempo de fala quanto em condições de exposição.
Os sorteios são outro ponto central dos bastidores. É por meio deles que se definem a posição física de cada participante no estúdio, a ordem de abertura e encerramento dos blocos e a sequência de perguntas, reforçando a imagem da Band como "casa do debate", construída em parceria com todos os atores políticos.
Temporada 2026: datas e o novo formato dinâmico de 4 minutos
Em 2026, essa tradição ganha novos capítulos com uma agenda nacional de debates já confirmada. A emissora prepara uma cobertura especial que reúne confrontos estaduais e o primeiro encontro entre os candidatos à Presidência na corrida eleitoral.
- Debates estaduais - 9 de agosto (domingo), às 20h: confrontos simultâneos em 17 unidades da Federação, incluindo 16 estados e o Distrito Federal, entre postulantes aos governos locais;
- Debate presidencial - 23 de agosto (domingo), às 20h: primeiro debate do primeiro turno entre candidatos à Presidência da República.
A temporada 2026 também traz um formato redesenhado para estimular o confronto direto de ideias.
Nas rodadas em que jornalistas questionam ou em que os candidatos fazem perguntas uns aos outros, quem pergunta terá até 1 minuto, enquanto quem responde contará com 4 minutos que poderá gerenciar livremente entre resposta e tréplica.
Conforme aponta a direção de jornalismo do Grupo Bandeirantes, o novo desenho pretende reduzir o engessamento tradicional dos debates e ampliar o espaço para argumentação consistente.
A expectativa é que o eleitor acompanhe com mais clareza o preparo de cada candidato e as diferenças entre seus projetos, em uma sequência de encontros que remete ao marco inaugurado em 17 de julho de 1989.
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