O ex-governador do Rio de Janeiro e pré-candidato ao governo estadual, Anthony Garotinho, participou nesta quinta-feira (2) de sabatina da BandNews TV com os postulantes ao cargo e afirmou que a população fluminense não deveria ter que escolher entre candidatos ligados ao crime organizado. Garotinho disse que não pretendia ser candidato mais uma vez, mas foi “empurrado” para a disputa diante do cenário no Estado.
“Eu não queria ser candidato, a verdade é essa. Eu quase que fui empurrado para essa candidatura de governador porque a opção que ficou diante de mim era a seguinte: de um lado você tem um candidato declaradamente apoiado pelo Comando Vermelho. Hoje, provado mais uma vez. O Douglas Ruas, candidato Rodrigo Barcellar, candidato Cláudio Castro, candidato desse desgoverno que está aí, ele tem a simpatia dessa facção criminosa, até porque o chefe dela era o candidato deles ao governo do Estado. Só não foi porque as minhas denúncias foram comprovadas e ele acabou sendo preso”, disse.
“Do outro lado, você tem o prefeito do Rio, Eduardo Paes. A mesma Polícia Federal que prendeu o Bacellar, denunciou a Lucinha e afastou ela da Assembleia porque ela era chamada na interceptação telefônica de madrinha. Madrinha da milícia do Zim, a maior milícia da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ela fazia contatos com os batalhões da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ela fazia contatos com os batalhões para facilitar o trabalho da milícia. Ora, se o Rio de Janeiro tiver que escolher entre o candidato do Comando Vermelho e o candidato da milícia, é o fim”.
Na opinião do ex-governador, que não poupou críticas ao grupo político do governador Cláudio Castro e do deputado Rodrigo Bacellar e nem ao prefeito do Rio, Eduardo Paes, a situação é ainda pior que nos tempos de Sérgio Cabral, que ficou à frente do Rio de 2007 a 2014. “O Rio de Janeiro precisa de um governador presente. A situação do Estado, eu não vi até hoje uma situação de desgoverno, corrupção, desordem, até mesmo na era (Sérgio) Cabral. Eu achava que não haveria nada pior do que isso, mas eu vejo que hoje este governo atual de Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar, que governaram juntos o Estado, com a Assembleia Legislativa, levaram o Rio de Janeiro a uma situação delicadíssima do ponto de vista político, administrativo e financeiro”, disse.
“Então diante dessa disputa, mesmo sabendo que não será fácil, são organizações poderosas, são candidatos que vão despejar recursos e fazer muita pressão, mas eu creio que o povo e a paciência da população chegou no limite para encerrar com essa situação”, afirmou o pré-candidato.
Outros temas da sabatina
Segurança e Bope 2.0
“As pessoas falam em combater a violência. Violência é um sentimento, insegurança é um sentimento. O que precisa ser combatido é criminal. E cada crime tem um modelo de negócios, um sistema diferente do outro. O tráfico de drogas que terá uma política voltada para o enfrentamento com a criação do Bope 2.0. O que é o Bope 2.0? Vai ser um batalhão de ocupação permanente. Já está provado que simplesmente fazer uma operação, sair dali e deixar tudo como está não resolve nada. Você tem que ocupar ou criar um batalhão com 1.500 homens. Esses homens ocuparão essas grandes áreas de complexos junto com policiais civis, ocupando, fechando todas as entradas e saídas e prendendo os criminosos sem precisar vitimar pessoas inocentes”.
“Primeiro ponto é droga. Segundo ponto, roubo de carga. Rio de Janeiro tem nove roubos de caminhões por dia. Isso é inadmissível. Ninguém vê alguém vendendo geladeira no meio da rua, fogão no meio da rua, remédio no meio da rua, porque o combate não deve ser feito apenas ao ladrão do caminhão, mas principalmente a quem compra. carga roubada. E todo mundo no Rio de Janeiro sabe quem é que compra. São grandes pessoas, grandes empresários. Falta o que para enfrentar essa gente? Coragem. O governo sujo como está, não tem coragem de enfrentar esses compradores de carga roubada”.
“Terceiro ponto importante, roubo e furto de veículos. 185 mil carros roubados ou furtados. Desses 185 mil, a metade, segundo o Instituto de Segurança Pública, que eu criei quando eu fui secretário de Segurança Pública, ele detectou que 50% foram recuperados. Recuperados como? Como é que funciona a mecânica da recuperação de carro roubado no Rio? Ele comparece a uma delegacia de polícia e registra a ocorrência. Enquanto ele está registrando a ocorrência, o carro dele está sendo levado para dentro de um local com permissão dos traficantes da área e, quando fica guardado lá, até que a pessoa dá entrada no seguro e a seguradora, então, ela comunica com o policial da área”.
“Esse policial se comunica com o bandidinho guardador do carro dentro da comunidade e então a delegacia faz contato e diz, recuperamos o seu carro. O senhor pode vir. O bandido devolve o carro e o carro é devolvido ao dono. E a seguradora, para não pagar o seguro total, que seria dependendo do carro, vamos botar um carro popular, R$ 70 mil de seguro, R$ 60 mil, ela paga R$ 3.500, R$ 2.500 ao policial e R$ 1.000 ao bandido. Ela dá ao policial e entrega ao bandido. Isso é uma máquina de roubar, o Estado roubando junto com as seguradoras. Um policial que recupera cinco carros numa semana, ganhando R$ 2.500 reais, no final de uma semana, ele tem quase que R$ 15 mil, ele está ganhando R$ 60 mil por mês. Um bandido desse, que ganha R1 mil, no final do mês ele está ganhando R$ 30 mil. Isso tem que acabar”.
Sistema carcerário
“A questão do menor é o DGAS. O DGAS é quem cuida desses menores. O número de agentes do DGAS é mínimo. Vamos ter que reestruturar o DGAS e voltar para onde ele era. A instituição está destruída. Nós temos no Estado do Rio, 45 mil presos para 28 mil vagas. Não se constrói presídio e casa de custódia há muito tempo nesse estado. Além disso, tanto o grupo que foi afastado pelo atual governador, que era um grupo de péssima reputação, envolvidos com todo tipo de corrupção, negociando com o Comando Vermelho dentro dos presídios, o grupo que entrou agora recentemente, nomeado pelo desembargador, é continuação deste mesmo modelo de gestão que estava”.
“Eu pretendo mudar totalmente. Primeiro que o número de policiais penais é insuficiente. O número de presídios é insuficiente. E terceiro, é uma roubalheira que foi criada uma coisa chamada cesta de custódia. Um preso tem direito a adquirir a sua família mediante entrada num sistema online chamado cesta de custódia até dois salários mínimos por semana. Mas a gente sabe que a maioria das famílias dos presos, não tem isso. Aí, os presos que têm condição compram para si a cota estabelecida e compram para os outros”.
“Estão fazendo cantina dentro de cela vendendo o produto. As empresas que fazem esse trabalho da cesta online, uma delas pertence a um secretário de governo, do governo que saiu. Está no nome de um laranja, eu fui pesquisar, levantei através de geoprocessamento que a empresa era situada numa casa que tem telha de amianto em Duque de Caxias. Não era empresa, tudo fachada. Vendem entrada de celular, vendem visita íntima, vendem de tudo dentro do presídio. Então, isso tem que acabar.”.
“Essa questão de El Salvador ela é muito mal explicada. As pessoas acham que lá em El Salvador, o senhor Bukele pegou todo mundo, juntou e jogou dentro de um local sólido. Não, foi isso que foi feito. O que foi feito lá, com alguns excessos, é verdade, algumas coisas que precisam ser corrigidas, mas de forma correta. Ele criou, ao lado deste grande presídio, onde ficam a maioria das gangues, que antes ficavam separadas, um local chamado Centro de Recuperação pelo Trabalho. E o preso tem uma opção. Ou ele vai trabalhar, ou ele vai ficar preso junto com todo mundo. Eu vou dar opção a ele, poder trabalhar. Se ele não quiser trabalhar, ele vai ser tratado como todo bandido deve ser tratado, colocado numa cela, junto com os outros bandidos. Porque isso aqui não é hotel. Presídio não é hotel. Olha, em todos os estados brasileiros, os presos têm direito a quatro refeições. Aqui tem cinco. A secretária que saiu e foi mantida criou a ceia do preso, cinco refeições por dia. O cara está preso, a família ainda recebe o auxílio reclusão. E ele tem o direito de ficar entre os amigos da facção dele. Poxa, é o que é isso? Isso é hospedagem paga pelo governo? Não, ele vai ter opção. O sistema penitenciário é uma pena que deve servir para recuperar as pessoas. não para devolvê-las pior do que elas foram parar no presídio”
Unificação de prisões
“A experiência vem mostrando ao longo dos anos que não importa quantas polícias têm, o que importa é que elas trabalhem juntos, de forma harmônica. Nos Estados Unidos você tem polícia municipal, polícia estadual, polícia federal, isso não importa. O importante é que eles estejam juntos, trabalhando da mesma maneira. Foi por isso que lá atrás eu criei, e infelizmente não houve continuidade, a AISP, Área Integrada de Segurança Pública, onde o batalhão da área, a polícia, a delegacia da área e agora também com o poder de polícia que foi dado às guardas municipais daquela área, trabalhem juntos. Porque trabalhando juntos, eles vão ser muito mais eficazes e resolutivos do que trabalhando separado”.
Mobilidade urbana
“Última vez que se comprou trem no Rio, Rosinha era governadora ainda, por aqueles famosos trens coreanos. Porque se você faz uma concessão, quem tem que investir não é o concedente, é o concessionário. Ou seja, quem tinha que ter investido e nunca investiu nada foi a Supervia. O que nós vamos fazer é mudar o papel que as agências reguladoras têm no papel, mas que na prática não fazem, que é fiscalizar, cobrar o investimento e cobrar o resultado. Esse sistema que está aí, de trens, ele tem capacidade de transportar 1 milhão e 200 mil pessoas por dia. Não deve estar transportando mais de 400 mil pessoas por dia. É muito pouco. Então, para que haja volume de passageiros o serviço tem que melhorar e o Estado tem que cobrar. Já que o serviço é concedido Então, aquele que recebe a concessão tem que prestar conta da concessão”.
“Eu tinha um projeto muito interessante da linha 3, mas confesso que eu estudei um outro mais interessante quando eu fui ver: o transporte que é feito em Sydney, na Austrália. Olha, o que é mais barato? Você aproveitar uma malha que já está pronta, cujo investimento é muito pequeno, ou ter que fazer um túnel submerso na Baía de Guanabara para poder chegar até São Gonçalo ou Niterói e depois estender por trem até Itaboraí. É claro que o sistema de transporte aquaviário. Vai facilitar e muito. Então nós vamos fazer uma interligação por lanchas ultramodernas, barcas de alta velocidade ligando o Rio. Até São Gonçalo e Niterói. Eu não vou precisar construir nem ferrovia, nem Metrô, não vou precisar construir nada. Porque o leito já está pronto e você sabe, qualquer cidadão sabe que o transporte aquaviário é mais barato que em qualquer lugar do mundo, qualquer outro tipo de transporte. Então, falando especificamente sobre a linha 3, nós conseguiremos colocar por um terço do valor atual do projeto esse sistema para funcionar”.
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