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TSE não cancelou eleições de 2026 nem identificou fraude em 2 mil urnas

Mensagem falsa inventa falhas em urnas eletrônicas e leva usuários a site sem vínculo com a Justiça Eleitoral

ETHEL RUDNITZKI

19/06/2026 • 21:59 • Atualizado em 19/06/2026 • 23:34

Band Verifica em parceria com Lupa
TSE não cancelou eleições de 2026 nem identificou fraude em 2 mil urnas

TSE não cancelou eleições de 2026 nem identificou fraude em 2 mil urnas

Lupa

Circula nas redes sociais uma imagem viral alegando que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) teria decidido anular as eleições de 2026 após identificar erros em mais de 2 mil urnas eletrônicas. O conteúdo também apresenta um link para “atualizar o cadastro eleitoral”. É falso. O link é enganoso.

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Por WhatsApp, leitores sugeriram que o conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

Não existem notícias na imprensa ou em canais oficiais sobre o cancelamento do pleito ou sobre a constatação de fraude nas urnas eletrônicas. Em nota enviada à Lupa, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou que a mensagem viral divulga informações falsas. “Não há qualquer registro de fragilidade que comprometa o sigilo ou a integridade do voto. O TSE e as instituições fiscalizadoras não encontraram falhas nos sistemas eleitorais, e as Eleições de 2026 serão realizadas normalmente em 4 de outubro (1º turno) e 25 de outubro (2º turno)”, afirmou o Tribunal em nota.

Em maio, a corte concluiu a segunda etapa do Teste Público da Urna para as eleições deste ano, que comprovou a segurança do sistema eleitoral brasileiro e atualizou as urnas. Na ocasião, investigadores que participaram da fase principal do Teste da Urna, ocorrida em dezembro em 2025, estiveram na sede do TSE para verificar se as melhorias sugeridas por eles foram incorporadas ao sistema eletrônico de votação pelas equipes técnicas da Justiça Eleitoral. “Ficou constatado que nenhum dos achados fragilizou o sigilo ou a integridade do voto, que são os pilares do processo eleitoral do país”, diz nota publicada pelo Tribunal.

As próximas etapas do Teste da Urna serão as publicações dos relatórios finais da Comissão Avaliadora e da Comissão Reguladora no final de julho, conforme consta no calendário do TSE, que também confirma a realização das eleições em outubro deste ano.

“Caso qualquer problema seja identificado durante as auditorias, ele será corrigido antes da realização das eleições, sem necessidade de cancelamento do pleito. Mesmo após a votação, eventuais suspeitas de fraude podem ser apuradas, inclusive com perícia nas urnas”, lembra o Tribunal.

Nos dias que antecedem o pleito, os equipamentos também passarão por uma série de protocolos de segurança, entre eles o teste de integridade das urnas na véspera da votação, a impressão da zerésima antes da abertura das urnas, e a impressão dos boletins de urna logo após a votação.

Em caso de mau funcionamento de urnas durante a votação, os equipamentos são substituídos antes do fechamento das seções eleitorais. Nas últimas eleições presidenciais em 2022, apenas 0,6% das urnas precisaram ser trocadas.

Redirecionamento

Além de disseminar desinformação, os posts redirecionam para um link para “atualizar o cadastro eleitoral” que não é endereço oficial do TSE. A URL (http://atualiza-voto2026-brasil.net/registro-agora) não possui o final “jus.br”, referente aos portais de órgãos da Justiça no Brasil. Além disso, está fora do ar.

Em maio, o Tribunal encerrou o prazo para regularização de títulos de eleitor para as eleições deste ano. Eleitores que não tiraram a primeira via do documento nem regularizaram pendências na Justiça Eleitoral não poderão votar nas próximas eleições.

A regularização esteve disponível até o dia 7 de maio pelo site do Autoatendimento eleitoral onde ainda é possível acessar alguns serviços como a emissão de certidões eleitorais, pagamento de multas, impressão do título de eleitor e consultas à situação eleitoral. O endereço, no entanto, fica no portal oficial do TSE, diferente do anunciado na publicação.

“A consulta da situação eleitoral deve ser feita apenas pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral. O endereço divulgado na mensagem falsa não pertence à Justiça Eleitoral, cujos sites oficiais utilizam o domínio “.jus.br”, como tse.jus.br e justicaeleitoral.jus.br”, ressalta o Tribunal.

Urnas são alvo de desinformação

Com a proximidade da campanha eleitoral, publicações que questionam o sistema eletrônico de votação têm se tornado mais frequentes. Na semana passada, a Lupa desmentiu um vídeo que dizia que o TSE “faz o favor de sumir com o voto” nas eleições, tirando de contexto trecho de audiência pública no Supremo Tribunal Federal de 2018.

Na verdade, os votos ficam armazenados no Registro Digital do Voto (RDV), um arquivo auditável e que garante o sigilo do voto, mais uma medida de segurança nas eleições.