O cenário político em Brasília foi abalado nesta quinta-feira (18) pela 9ª fase da Operação Compliance Zero, que teve como um de seus principais alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA), atual líder do governo Lula no Senado. A operação investiga crimes de corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master.
Durante a ação, agentes da PF apreenderam 33 mil euros (cerca de R$ 196 mil) e US$ 55 mil (R$ 285 mil), além de 13 relógios em endereços ligados ao senador. Também há suspeita de repasse de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira Ltda., empresa ligada ao núcleo familiar de Jaques Wagner, o que levantou suspeitas de vantagens econômicas indevidas.
Apesar de Wagner ser um dos conselheiros mais próximos do presidente Lula, a operação fez crescer a pressão para que ele deixe a função de líder do governo no Senado, voluntariamente para focar em sua defesa. No Palácio do Planalto e na bancada do PT, não há unanimidade sobre sua continuidade no cargo.
O destino do senador deve ser definido em reunião com o presidente Lula, prevista para a próxima semana. O encontro, que inicialmente ocorreria nesta sexta-feira (19), foi adiado devido à agenda de Lula. Enquanto isso, o STF determinou medidas cautelares contra os investigados, incluindo a suspensão de passaportes e a proibição de contato entre os envolvidos no caso.
O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União), saiu em defesa do colega, afirmando ter convicção de que as verdades do senador serão comprovadas judicialmente. Por outro lado, a avaliação de bastidores é que o alcance da operação sobre um "figurão" da base governista reforça a imagem de que o trabalho da Polícia Federal tem sido apartidário.
Defesa do senador
Em nota oficial e entrevistas, Jaques Wagner negou categoricamente qualquer irregularidade. O parlamentar justificou que os valores em espécie apreendidos são fruto de diárias legais e declaradas de viagens internacionais oficiais que não foram integralmente utilizadas.
Sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Wagner afirmou ser "praticamente zero", tendo se encontrado com o empresário apenas duas vezes. O Partido dos Trabalhadores, através de seu presidente Edinho Silva, manifestou "irrestrita confiança" na conduta do senador.
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