Jornal da Band

Cresce pressão para Jaques Wagner deixar liderança no Senado após operação

Lula deve fazer reunião com senador na próxima semana para definir futuro na base do governo

Da redação
DA REDAÇÃO

18/06/2026 • 21:51 • Atualizado em 18/06/2026 • 21:56

O cenário político em Brasília foi abalado nesta quinta-feira (18) pela 9ª fase da Operação Compliance Zero, que teve como um de seus principais alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA), atual líder do governo Lula no Senado. A operação investiga crimes de corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master.

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Durante a ação, agentes da PF apreenderam 33 mil euros (cerca de R$ 196 mil) e US$ 55 mil (R$ 285 mil), além de 13 relógios em endereços ligados ao senador. Também há suspeita de repasse de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira Ltda., empresa ligada ao núcleo familiar de Jaques Wagner, o que levantou suspeitas de vantagens econômicas indevidas.

Apesar de Wagner ser um dos conselheiros mais próximos do presidente Lula, a operação fez crescer a pressão para que ele deixe a função de líder do governo no Senado, voluntariamente para focar em sua defesa. No Palácio do Planalto e na bancada do PT, não há unanimidade sobre sua continuidade no cargo.

O destino do senador deve ser definido em reunião com o presidente Lula, prevista para a próxima semana. O encontro, que inicialmente ocorreria nesta sexta-feira (19), foi adiado devido à agenda de Lula. Enquanto isso, o STF determinou medidas cautelares contra os investigados, incluindo a suspensão de passaportes e a proibição de contato entre os envolvidos no caso.

O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União), saiu em defesa do colega, afirmando ter convicção de que as verdades do senador serão comprovadas judicialmente. Por outro lado, a avaliação de bastidores é que o alcance da operação sobre um "figurão" da base governista reforça a imagem de que o trabalho da Polícia Federal tem sido apartidário.

Defesa do senador

Em nota oficial e entrevistas, Jaques Wagner negou categoricamente qualquer irregularidade. O parlamentar justificou que os valores em espécie apreendidos são fruto de diárias legais e declaradas de viagens internacionais oficiais que não foram integralmente utilizadas.

Sobre sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Wagner afirmou ser "praticamente zero", tendo se encontrado com o empresário apenas duas vezes. O Partido dos Trabalhadores, através de seu presidente Edinho Silva, manifestou "irrestrita confiança" na conduta do senador.