EUA prometem respeitar eleição brasileira desde que seja 'livre e justa'
Afirmação de fonte dentro do Departamento de Estado acontece após acusções da gestão Lula

Acusado de tentar uma interferência nas eleições presidenciais do Brasil pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Departamento de Estado dos Estados Unidos negou que tenha como objetivo interferir na disputa e indicou que vai respeitar o resultado das urnas, desde que o país promova uma disputa "livre e justa".
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A declaração foi dada por autoridades do governo Donald Trump, com a condição de que não fossem identificadas, em resposta a questionamentos de veículos de imprensa brasileiros sobre as recentes rusgas políticas com o país.
Segundo a autoridade do Departamento de Estado, haverá respeito à escolha feita pelos brasileiros por meio "de eleições livres e justas no Brasil". Essa autoridade lembrou que os EUA já mantiveram relações com "governos de ambos os lados do espectro no Brasil" e que esses relacionamentos foram "muito bem-sucedidos."
Para integrantes do governo Lula, porém, a administração trumpista planejava justamente reunir elementos no país a fim de contestar a transparência e a segurança do sistema de urnas eletrônicas. Dois diplomatas tiveram visto negado pelo Itamaraty.
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Na semana passada, o Palácio do Planalto reagiu dizendo que o cancelamento do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, era uma atitude de viés ideológico. "Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente", afirmou a Presidência, em nota.
Em eventos públicos, o presidente brasileiro acusou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, figura política de histórico hostil ao petista e próximo do bolsonarismo, de "odiar o Brasil" e a América Latina. Lula chamou o chefe da diplomacia trumpista, filho de cubanos exilados, de "latino-americano frustrado".
E disse que se beneficiaria caso os EUA enviassem uma autoridade para subir no palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL), principal rival na disputa pela Presidência. Flávio voltou a levantar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro, sem que nenhuma fraude jamais tenha sido comprovada.
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Depois, Lula afirmou que pretendia voltar a conversar por telefone com Trump, uma chamada que não ocorreu ainda.
Nesta quarta-feira (12), o ex-ministro Celso Amorim, chefe da Assessoria Especial do Palácio do Planalto, afirmou que os EUA miravam contra a soberania brasileira, com o vídeo do Departamento de Estado que propaga o "domínio americano" nas Américas, uma alusão à Doutrina Monroe.
O conselheiro petista também afirmou que a relação vive uma "escalada de hostilidades" e que a administração Trump atua com "opacidade total" em relação ao Brasil.
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Com Estadão Conteúdo
