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EUA revogam visto de embaixadora do Brasil em Washington

Veto deve durar “até a solução da crise diplomática” entre os dois países; EUA buscam aval do Brasil a novo embaixador no Brasil

Da redação
DA REDAÇÃO

04/08/2026 • 18:10 • Atualizado em 04/08/2026 • 20:21

EUA cancelam visto de chefe da embaixada do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti

EUA cancelam visto de chefe da embaixada do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti

Jefferson Rudy/Agência Senado

Nesta terça-feira (4), os Estados Unidos cancelaram o visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti, que chefiava a embaixada em Washington desde junho de 2023. A informação foi confirmada por um funcionário do Departamento de Estado para jornalistas, e a medida é imposta como forma de retaliação ao Brasil. O governo brasileiro condenou a medida na noite de hoje.

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O veto do documento também busca pressionar o Brasil a autorizar o nome do novo embaixador dos EUA para Brasília. Daniel Perez foi indicado pelo presidente Donald Trump em junho deste ano. Segundo informações da AP News, o governo americano não expulsará Viotti do país. Ela poderá permanecer em Washington mesmo sem um visto válido.

O funcionário afirmou ainda que novas sanções e cancelamentos a outras autoridades brasileiras “não estão descartadas”. "Reciprocidade é o nome do jogo", afirmou o funcionário sobre a medida. A decisão vem na esteira do cancelamento de vistos de dois diplomatas que, supostamente, teriam interesse em interferir no andamento do processo eleitoral brasileiro em 2026.

O funcionário afirmou que o visto só será restabelecido depois que o Brasil conceder o visto a Perez. Contudo, a indicação do diplomata só foi aprovada pelo Senado dos EUA e ainda precisa passar pela Câmara. A tradição diplomática também indica que o país que receberá um novo embaixador deve aprovar o nome. Segundo o governo norte-americano, o sinal verde só deve ser dado depois das eleições presidenciais brasileiras.

Itamaraty barrou diplomatas dos EUA no país

A nova investida dos Estados Unidos é mais uma escalada na crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos. No último mês, Donald Trump impôs uma série de sanções econômicas à exportação de produtos brasileiros, por exemplo.

Além disso, o cancelamento do visto da embaixadora vem na esteira da revogação de vistos de dois funcionários da Casa Branca que tentariam interferir nas eleições brasileiras, segundo informações do The Washington Post.

No fim de julho, o governo brasileiro negou o pedido de visto de entrada para Riley Barnes, secretário-assistente de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado americano, e seu adjunto, Samuel Samson.

Ligados ao secretário de Estado do governo Donald Trump, Marco Rubio, os dois diplomatas pretendiam viajar ao Brasil com o pretexto oficial de tratar de "liberdade de expressão nas eleições".

No entanto, o Ministério das Relações Exteriores vetou a missão diplomática após identificar que o objetivo real do grupo era levantar questionamentos e contestar a confiabilidade das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro.

Quem é Maria Luiza Ribeiro Viotti?

Nascida em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, Maria Luiza Ribeiro Viotti é uma diplomata de carreira com vasta trajetória no Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), onde ingressou em 1976.

Formada em Ciências Econômicas e mestre na área pela Universidade de Brasília (UnB), fez história ao se tornar a primeira mulher indicada e aprovada para chefiar a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, em Washington.

Ao longo de quase cinco décadas no serviço exterior, acumulou postos de alto escalão na diplomacia internacional. Na Organização das Nações Unidas (ONU), foi embaixadora e representante permanente do Brasil entre 2007 e 2013 e chefiou o gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres, de 2017 a 2022.

Na Europa e América do Sul, Viotti atuou como embaixadora do Brasil na Alemanha (2013 até 2016) e exerceu funções de conselheira na Embaixada na Bolívia. Já no Itamaraty, a diplomata liderou áreas estratégicas em Brasília, incluindo as diretorias de Direitos Humanos e Temas Sociais e de Organismos Internacionais.