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Governo repudia alteração de visto de embaixadora nos EUA: 'Medidas hostis'

Secom rebate Departamento de Estado norte-americano e nega alegações de Washington

Da redação
DA REDAÇÃO

04/08/2026 • 20:17 • Atualizado em 04/08/2026 • 20:17

EUA cancelam visto de chefe da embaixada do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti

EUA cancelam visto de chefe da embaixada do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti

Manuel Elias/UN Photo

O Governo brasileiro repudiou oficialmente, nesta terça-feira (4), a decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de alterar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida norte-americana ocorreu após o governo dos EUA revogar o visto da diplomata sob a justificativa de pressionar pela concessão de agrément para o novo embaixador em Brasília e em retaliação à negativa de vistos para funcionários americanos no Brasil.

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Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Executivo brasileiro classificou o ato como uma ofensiva política.

"A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo."

Defesa das regras diplomáticas e críticas aos EUA

Segundo a nota, as justificativas apresentadas por Washington são falsas. O Palácio do Planalto explicou que o processo para a concessão de agrément é confidencial e que o governo norte-americano descumpriu a Convenção de Viena ao anunciar publicamente seu candidato antes de formalizar o pedido.

A Secom destacou que não há descumprimento de prazos e que a análise do nome do diplomata americano segue seu curso normal no Itamaraty. O comunicado também denunciou a tentativa de ingerência eleitoral por parte dos Estados Unidos no cenário político do país: "Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente."

Vistos negados e tentativa de interferência eleitoral

Ao abordar a recusa de vistos para dois funcionários do governo norte-americano — apontada por Washington como um dos pivôs da retaliação —, a Presidência deixou claro o motivo da interdição: "Os dois funcionários do governo norte-americano que tiveram seus vistos de entrada no Brasil negados planejavam visitar o país para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, em tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional."

O texto lembra que seguem em vigor sanções individuais e cancelamentos de vistos americanos aplicados a ministros do Supremo Tribunal Federal e autoridades do Poder Executivo, sob a alegação infundada de perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a Secom, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a solicitar pessoalmente a Donald Trump o levantamento de tais restrições durante reunião em Washington em maio, sem sucesso.

Apesar da tensão diplomática, o comunicado conclui afirmando que, "em linha com sua tradição diplomática, o governo brasileiro se opõe à lógica de confrontação e reitera a defesa do diálogo e da negociação em todas as suas relações internacionais."