Fuga de Flávio durou quase 12 horas e teve 'operação de desinformação'
Era noite de terça-feira (27), por volta das 22h50, quando o senador Flávio Bolsonaro (PL), acompanhado da esposa e das duas filhas, cruzou a fronteira de Foz
Era noite de terça-feira (27), por volta das 22h50, quando o senador Flávio Bolsonaro (PL), acompanhado da esposa e das duas filhas, cruzou a fronteira de Foz do Iguaçu rumo à Argentina a bordo de uma van. O grupo dirigiu-se ao Aeroporto de Puerto Iguazú, localizado a cerca de 30 km da fronteira brasileira, onde embarcou em um jatinho particular modelo Gulfstream. A aeronave pertence à empresa Bais Fly, investigada por suspeita de lavagem de dinheiro para um aliado do presidente argentino, Javier Milei.
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O voo privativo decolou de Puerto Iguazú com destino inicial a Guayaquil, no Equador, em um trajeto de mais de cinco horas. Após a escala técnica, a aeronave partiu às 6h22 rumo a Miami, onde pousou às 10h24. Ao desembarcar nos Estados Unidos, o parlamentar apresentou o seu passaporte diplomático, documento que já havia sido cancelado pela Polícia Federal após o descumprimento da ordem de entrega expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Roteiro da fuga de Flávio Bolsonaro aos EUA
Suspeita de apoio internacional e desinformação
Segundo as investigações da Polícia Federal, a rota demandou alto custo e um planejamento rigoroso marcado por uma "operação de desinformação". Enquanto aliados declaravam publicamente que o senador já se encontrava em solo americano, ele ainda permaneceu em território brasileiro durante parte do processo.
A PF suspeita de uma articulação internacional envolvendo os governos da Argentina, do Equador e dos Estados Unidos para viabilizar a logística da viagem. Conforme publicação do jornal Clarín, Santiago Caputo, assessor direto de Javier Milei, esteve presencialmente em Puerto Iguazú para acompanhar o embarque do parlamentar.
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Inquéritos no STF e asfixia financeira
A Polícia Federal já havia alertado o STF sobre o risco de fuga por meio de um ofício sigiloso enviado no domingo (25). O senador é alvo de dois inquéritos na Suprema Corte: uma apuração sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas ligada ao advogado Willer Tomaz e outra sobre o financiamento de mais de R$ 130 milhões no âmbito do filme "Dark Horse".
Diante dos desdobramentos, os investigadores avaliam solicitar o bloqueio dos bens de Flávio Bolsonaro no Brasil e no exterior. A medida visa aplicar uma estratégia de asfixia financeira semelhante à adotada anteriormente contra o seu irmão, Eduardo Bolsonaro, e contra o advogado Willer Tomaz, que também fugiram para os Estados Unidos.
