Política
Jornal da Band

Fuga de Flávio durou quase 12 horas e teve 'operação de desinformação'

Era noite de terça-feira (27), por volta das 22h50, quando o senador Flávio Bolsonaro (PL), acompanhado da esposa e das duas filhas, cruzou a fronteira de Foz

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28/10/2026 20:49 • Atualizado há 1 hora

Era noite de terça-feira (27), por volta das 22h50, quando o senador Flávio Bolsonaro (PL), acompanhado da esposa e das duas filhas, cruzou a fronteira de Foz do Iguaçu rumo à Argentina a bordo de uma van. O grupo dirigiu-se ao Aeroporto de Puerto Iguazú, localizado a cerca de 30 km da fronteira brasileira, onde embarcou em um jatinho particular modelo Gulfstream. A aeronave pertence à empresa Bais Fly, investigada por suspeita de lavagem de dinheiro para um aliado do presidente argentino, Javier Milei.

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O voo privativo decolou de Puerto Iguazú com destino inicial a Guayaquil, no Equador, em um trajeto de mais de cinco horas. Após a escala técnica, a aeronave partiu às 6h22 rumo a Miami, onde pousou às 10h24. Ao desembarcar nos Estados Unidos, o parlamentar apresentou o seu passaporte diplomático, documento que já havia sido cancelado pela Polícia Federal após o descumprimento da ordem de entrega expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Roteiro da fuga de Flávio Bolsonaro aos EUA

Roteiro da fuga de Flávio Bolsonaro aos EUA

Suspeita de apoio internacional e desinformação

Segundo as investigações da Polícia Federal, a rota demandou alto custo e um planejamento rigoroso marcado por uma "operação de desinformação". Enquanto aliados declaravam publicamente que o senador já se encontrava em solo americano, ele ainda permaneceu em território brasileiro durante parte do processo.

A PF suspeita de uma articulação internacional envolvendo os governos da Argentina, do Equador e dos Estados Unidos para viabilizar a logística da viagem. Conforme publicação do jornal Clarín, Santiago Caputo, assessor direto de Javier Milei, esteve presencialmente em Puerto Iguazú para acompanhar o embarque do parlamentar.

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Inquéritos no STF e asfixia financeira

A Polícia Federal já havia alertado o STF sobre o risco de fuga por meio de um ofício sigiloso enviado no domingo (25). O senador é alvo de dois inquéritos na Suprema Corte: uma apuração sobre lavagem de dinheiro e evasão de divisas ligada ao advogado Willer Tomaz e outra sobre o financiamento de mais de R$ 130 milhões no âmbito do filme "Dark Horse".

Diante dos desdobramentos, os investigadores avaliam solicitar o bloqueio dos bens de Flávio Bolsonaro no Brasil e no exterior. A medida visa aplicar uma estratégia de asfixia financeira semelhante à adotada anteriormente contra o seu irmão, Eduardo Bolsonaro, e contra o advogado Willer Tomaz, que também fugiram para os Estados Unidos.