Sem provas sobre fraude, Flávio se diz 'o verdadeiro presidente eleito'
Nos EUA, candidato à presidência ataca STF e aponta, sem provas, 'impossibilidade matemática' na derrota parra Lula
Após desembarcar em Miami nesta quarta-feira (28), o senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou uma declaração oficial em que se autoproclama o "verdadeiro presidente eleito do Brasil" e alega, sem apresentar nenhuma prova, ter sido vítima de fraude no segundo turno das eleições presidenciais.
Continua depois da publicidade
No documento, o parlamentar sustenta que a votação de domingo (25) foi marcada por irregularidades, apontando uma suposta "impossibilidade matemática" na adição de mais de 10 milhões de votos pelo adversário e criticando a extensão do horário de votação.
Além disso, defende a cassação da chapa vitoriosa, de Luiz Inácio Lula da Silva (PL) e Geraldo Alckmin (PSB), sob o argumento de uso indevido da máquina pública e abuso de poder político e econômico. Flávio Bolsonaro, no entanto, não apresenta provas no documento.
Flávio também acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguição política e diz que as medidas cautelares aplicadas contra ele —que incluem a apreensão de passaportes e a proibição de deixar o país— foram acionadas apenas sete minutos após a confirmação do resultado eleitoral.
Continua depois da publicidade
O senador ressalta que não existe mandado de prisão contra si, classificando as investigações como uma "caça às bruxas" motivada politicamente para fragilizar a oposição.
Rota de deslocamento e acolhimento nos EUA
A chegada do senador aos Estados Unidos ocorreu por volta das 10h30 de quarta-feira (28), após um percurso que incluiu a travessia terrestre para a Argentina e uma escala em Guayaquil, no Equador, a bordo de um voo particular que não cruzou o espaço aéreo brasileiro.
A movimentação ocorreu no contexto de investigações da Polícia Federal sobre lavagem de dinheiro e movimentações financeiras atípicas, além do conselho prévio de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, para que deixasse o país em caso de derrota.
Continua depois da publicidade
Na carta, Flávio expressa agradecimento ao presidente argentino Javier Milei, ao presidente norte-americano Donald Trump e ao povo dos Estados Unidos pela acolhida e garantia de segurança jurídica.
O parlamentar nega ter fugido do Brasil, argumentando que deixou o país para evitar a censura e manter-se ativo como liderança política. Para justificar a atuação no exterior, citou figuras históricas que atuaram no exílio, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí, Juan Guaidó e Edmundo González.
Apelo às instituições e liderança da oposição no exterior
Dirigindo-se à comunidade internacional e às instituições brasileiras, Flávio Bolsonaro pediu que não "normalizem" a situação política do país e fez um apelo a parlamentares aliados —mencionando expressamente o senador Rogério Marinho—, afirmando que assumirá a liderança da oposição a partir do exterior.
Continua depois da publicidade
Ele conclui prometendo pronunciamentos regulares e a apresentação de estratégias para mobilizar apoiadores no Brasil por meios pacíficos e legítimos.
