
31 de março de 1964 foi decisivo para o golpe militar
Divulgação/gov.br
O dia 31 de março de 1964 permanece como uma das datas mais definidoras e debatidas da história republicana brasileira. O movimento iniciado naquela madrugada, que resultou na deposição do presidente João Goulart, não foi apenas uma troca de comando no Poder Executivo, mas o estopim para a implementação de um regime militar que moldaria a estrutura política, social e econômica do país pelas duas décadas seguintes.
A queda de João Goulart e a ascensão dos militares
A crise política que culminou no golpe vinha sendo alimentada por uma forte polarização ideológica. De um lado, o governo de João Goulart buscava implementar as "Reformas de Base", que incluíam mudanças agrárias, educacionais e eleitorais. De outro, setores conservadores da sociedade, a Igreja Católica e as Forças Armadas viam nessas medidas uma ameaça de alinhamento ao bloco comunista, em pleno auge da Guerra Fria.
Com o apoio de governadores de estados estratégicos e o suporte logístico dos Estados Unidos, os militares iniciaram a movimentação de tropas em Minas Gerais. Jango, para evitar uma guerra civil, partiu para o exílio no Uruguai, deixando o caminho livre para que o Congresso Nacional declarasse a vacância da presidência, mesmo com o presidente ainda em território nacional.
Até hoje, a nomenclatura do evento é ponto de divergência. Para a historiografia contemporânea, cientistas políticos e críticos do regime, o 31 de março representa um golpe de Estado e uma ruptura democrática. O argumento central é que o movimento derrubou um presidente eleito constitucionalmente e suspendeu garantias individuais.
Por outro lado, setores das Forças Armadas e simpatizantes do período costumam celebrar a data como a "Revolução de 64". Para esse grupo, o movimento foi uma intervenção necessária para restaurar a ordem e impedir que o Brasil seguisse o caminho de ditaduras de esquerda.
O legado de 21 anos de ditadura
O regime que se instalou em 1964 estendeu-se até 1985 e foi marcado por um controle rígido do Estado sobre a vida pública. Entre os principais marcos desse período estão os atos Institucionais, que foram mecanismos como o AI-5, de 1968, que suspendeu o habeas corpus e permitiu a cassação de mandatos e a censura prévia aos meios de comunicação. Veja outros:
- Milagre econômico: Um período de crescimento acelerado do PIB nos anos 70, que trouxe obras de infraestrutura, mas também um aumento expressivo da dívida externa e da desigualdade social.
- Repressão e resistência: O período foi marcado pela perseguição política, prisões, tortura e desaparecimentos de opositores, ao mesmo tempo em que surgiam movimentos de resistência cultural e política.
A redemocratização só começaria a ganhar corpo no final da década de 70, culminando na campanha das "Diretas Já" e na eleição indireta de Tancredo Neves em 1985. Relembrar o 31 de março é, acima de tudo, um exercício de memória para compreender as cicatrizes da democracia brasileira e a importância da preservação das instituições civis.

