Band Política

Alcolumbre sinaliza que PEC do fim da 6x1 ficará para depois das eleições

Presidente do Senado freia articulação sobre jornada de trabalho e joga discussão para o fim do ano

PEDRO TEIXEIRA

02/07/2026 • 13:24 • Atualizado em 02/07/2026 • 14:22

Bastidores de Brasília
Davi Alcolumbre

Davi Alcolumbre

Carlos Moura/Agência Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mandou um recado direto aos senadores e setores sociais mobilizados em torno da revisão da escala de trabalho 6x1: a proposta só deve ser pautada e votada na Casa após as eleições.

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Com o Congresso operando em ritmo lento e as atenções do mundo político voltadas para as bases eleitorais, a presidência da Casa avalia que o tema, considerado de alta sensibilidade econômica e forte apelo popular, necessita de um ambiente mais técnico e menos contaminado pelo debate partidário das urnas.

Nos bastidores, interlocutores da presidência do Senado apontam que a decisão visa garantir uma discussão aprofundada sobre os impactos da mudança, evitando que a proposta seja utilizada como palanque eleitoral. Com isso, a análise de projetos e audiências públicas sobre o fim da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso fica oficialmente paralisado e só deve ser retomada no último bimestre do ano.

Nem mesmo a recente chegada da senadora Teresa Leitão à liderança do governo no Senado foi suficiente para demover Alcolumbre de sua estratégia. Embora a parlamentar represente uma ala do Executivo mais alinhada às demandas trabalhistas e tenha tentado abrir canais de diálogo para acelerar a tramitação de pautas sociais, o Palácio do Planalto esbarrou na inflexibilidade do comando da Casa, que mantém o controle rígido do calendário legislativo.

A postura de Alcolumbre também reflete a pressão que o comando do Senado recebe de entidades do setor produtivo e de líderes do comércio e serviços. Empresários argumentam que a alteração abrupta na jornada de trabalho sem uma ampla transição pode pressionar a inflação e aumentar o desemprego.

Outro fator que trava o debate no Senado é o relacionamento distante do presidente Lula com Alcolumbre. O presidente do Senado não conversou com Lula desde a reprovação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), em abril deste ano.

A Câmara aprovou a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas, com duas folgas na semana e sem redução de salário, em maio.

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