
Lula e Alcolumbre
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
A nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), disse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta segunda-feira (29) que os projetos de interesse do Palácio do Planalto só serão destravados na Casa depois que ele tiver uma conversa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Foi a primeira reunião da senadora com Lula desde que assumiu o cargo deixado por Jaques Wagner (PT-BA), afastado após ter o nome citado no escândalo do Banco Master.
Teresa engrossou o coro dos ministros que tentam promover a reaproximação entre o chefe do Executivo e Alcolumbre. Os dois não se falam há dois meses, desde que o Senado rejeitou, no fim de abril, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Foi a primeira vez que o Senado barrou um indicado presidencial ao STF desde 1894, no governo de Floriano Peixoto.
Em retaliação ou cobrança, Alcolumbre tem usado o comando da pauta como instrumento de pressão. Ele incluiu na ordem do dia desta terça-feira (30) a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias — classificada pela equipe econômica como "pauta-bomba", por gerar impacto de cerca de R$ 30 bilhões nas contas públicas em dez anos.
No dia 10, o Senado já havia aprovado a renegociação das dívidas do agronegócio, cujo impacto pode chegar a R$ 139,8 bilhões em 13 anos, segundo os ministérios da Fazenda e do Planejamento, sendo R$ 22,4 bilhões só em 2027.
Na direção oposta, o presidente do Senado segura projetos caros à campanha de Lula à reeleição. Ele mantém parada a PEC da Segurança, aprovada pela Câmara em março, que destina recursos das bets e parcelas do fundo social do pré-sal ao financiamento da área.
Também não despachou à Comissão de Constituição e Justiça a PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, outra proposta já aprovada pela Câmara. Sobre esta, Alcolumbre alega resistência dos empresários e diz que o tema não pode ser discutido "de afogadilho", devendo ser analisado apenas após as eleições.
A queda de Wagner agravou o impasse. Ele tentava costurar a "ponte" entre Lula e Alcolumbre, mas perdeu o cargo depois que a Polícia Federal descobriu suas ligações com o Master. O ex-líder resistia a deixar a função por considerar a saída uma "confissão de culpa", mas foi pressionado pelo PT.
No Planalto, avaliou-se que sua permanência arrastava Lula para o mesmo escândalo que a campanha quer associar ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do presidente.
Nos bastidores, Alcolumbre afirma que Lula sofrerá nova derrota caso insista em indicar Messias para o STF, como vem anunciando. Amigo de Rodrigo Pacheco (PSB), nome que defendia para a vaga, o presidente do Senado fez campanha para barrar a entrada do advogado-geral no tribunal.
Em nota e nas redes sociais, Teresa Leitão informou ter se reunido com Lula ao lado do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e acertado "os próximos passos para garantir que as pautas de interesse do povo brasileiro continuem avançando".
Disse que vai atuar para fortalecer a articulação entre o Planalto, a base aliada e os parlamentares, citando como exemplos o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança.
Apesar dos apelos, Lula ainda não aceitou o revés imposto por Alcolumbre. Até o momento, nenhum encontro entre os dois foi marcado, embora muitos apostem que a reunião ocorrerá em breve.
Com Estadão Conteúdo
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