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Lula é pressionado a reatar com Alcolumbre para destravar pautas no Senado

Sem diálogo há dois meses após derrota de Messias no STF, presidente vê projetos da reeleição emperrados na Casa

Da redação
DA REDAÇÃO

30/06/2026 • 00:12 • Atualizado em 30/06/2026 • 00:12

Lula e Alcolumbre

Lula e Alcolumbre

Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), disse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta segunda-feira (29) que os projetos de interesse do Palácio do Planalto só serão destravados na Casa depois que ele tiver uma conversa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

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Foi a primeira reunião da senadora com Lula desde que assumiu o cargo deixado por Jaques Wagner (PT-BA), afastado após ter o nome citado no escândalo do Banco Master.

Teresa engrossou o coro dos ministros que tentam promover a reaproximação entre o chefe do Executivo e Alcolumbre. Os dois não se falam há dois meses, desde que o Senado rejeitou, no fim de abril, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Foi a primeira vez que o Senado barrou um indicado presidencial ao STF desde 1894, no governo de Floriano Peixoto.

Em retaliação ou cobrança, Alcolumbre tem usado o comando da pauta como instrumento de pressão. Ele incluiu na ordem do dia desta terça-feira (30) a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias — classificada pela equipe econômica como "pauta-bomba", por gerar impacto de cerca de R$ 30 bilhões nas contas públicas em dez anos.

No dia 10, o Senado já havia aprovado a renegociação das dívidas do agronegócio, cujo impacto pode chegar a R$ 139,8 bilhões em 13 anos, segundo os ministérios da Fazenda e do Planejamento, sendo R$ 22,4 bilhões só em 2027.

Na direção oposta, o presidente do Senado segura projetos caros à campanha de Lula à reeleição. Ele mantém parada a PEC da Segurança, aprovada pela Câmara em março, que destina recursos das bets e parcelas do fundo social do pré-sal ao financiamento da área.

Também não despachou à Comissão de Constituição e Justiça a PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, outra proposta já aprovada pela Câmara. Sobre esta, Alcolumbre alega resistência dos empresários e diz que o tema não pode ser discutido "de afogadilho", devendo ser analisado apenas após as eleições.

A queda de Wagner agravou o impasse. Ele tentava costurar a "ponte" entre Lula e Alcolumbre, mas perdeu o cargo depois que a Polícia Federal descobriu suas ligações com o Master. O ex-líder resistia a deixar a função por considerar a saída uma "confissão de culpa", mas foi pressionado pelo PT.

No Planalto, avaliou-se que sua permanência arrastava Lula para o mesmo escândalo que a campanha quer associar ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do presidente.

Nos bastidores, Alcolumbre afirma que Lula sofrerá nova derrota caso insista em indicar Messias para o STF, como vem anunciando. Amigo de Rodrigo Pacheco (PSB), nome que defendia para a vaga, o presidente do Senado fez campanha para barrar a entrada do advogado-geral no tribunal.

Em nota e nas redes sociais, Teresa Leitão informou ter se reunido com Lula ao lado do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e acertado "os próximos passos para garantir que as pautas de interesse do povo brasileiro continuem avançando".

Disse que vai atuar para fortalecer a articulação entre o Planalto, a base aliada e os parlamentares, citando como exemplos o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança.

Apesar dos apelos, Lula ainda não aceitou o revés imposto por Alcolumbre. Até o momento, nenhum encontro entre os dois foi marcado, embora muitos apostem que a reunião ocorrerá em breve.

Com Estadão Conteúdo