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CCJ da Câmara adia votação da PEC da maioridade penal após pedido de vista

Deputados da esquerda pediram mais tempo para analisar relatório do Coronel Assis (PL)

Da redação
DA REDAÇÃO

27/05/2026 • 13:01 • Atualizado em 27/05/2026 • 14:08

Câmara dos Deputados

Câmara dos Deputados

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil.

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados adiou, mais uma vez, nesta quarta-feira (27), a votação sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos, após pedido de vista coletivo.

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O pedido para mais tempo de análise do relatório do Coronel Assis (PL), que prevê a redução parcial da maioridade penal, foi feita pelos parlamentares de esquerda, os deputados Sâmia Bomfim (PSOL-RJ), Érika Kokay (PT-DF), Talíria Petrone (PSOL-RJ) e Orlando Silva (PCdoB-SP). A discussão deve ser retomada na próxima semana.

Durante a discussão, a deputada Erika Kokay (PT), argumentou que a prisão não é uma saída para a recuperação e reintegração dos adolescentes para a sociedade.

Se perguntar para qualquer pessoa nesse Brasil se cadeia recupera o Brasil, não recupera. Aliás, o crime organizado teve sua origem no próprio sistema prisional em função das condições adversas. Querem lotar ainda mais o sistema prisional com adolescentes.

Para virar lei, o texto precisa ser inicialmente aprovado pela CCJ, para depois a proposta ser discutida por uma Comissão Especial, e posteriormente, pelo Senado Federal.

Na semana passada, a CCJ chegou a se reunir para analisar a proposta, mas o presidente da comissão, deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA), em razão do início da Ordem do Dia do Plenário, que impede outras votações na Casa, adiou a votação.

A proposta, de autoria do deputado Gonzaga Patriota, argumenta que jovens de 16 anos já possuem maturidade suficiente para responder por seus atos e que a legislação precisa se alinhar à realidade atual. Ela também prevê, além da redução da maioridade penal, a obrigatoriedade do voto aos 16 anos --hoje, obrigatório a partir dos 18.

O relator, o deputado Coronel Assis, já votou pela admissibilidade da PEC, mas com ressalvas técnicas. Segundo ele, a redução da maioridade penal não viola cláusulas pétreas da Constituição, já que, em seu entendimento, a inimputabilidade aos 18 anos é uma opção de política criminal e não um direito individual absoluto e imodificável.

O deputado, no entanto, propôs excluir as alterações sobre direitos políticos e capacidade civil para preservar o "princípio da unidade de matéria", evitando que temas distintos tramitem juntos em uma mesma PEC. Ele também defendeu, para o momento de voto pelo mérito da proposta, o modelo de exceção delimitada no que diz respeito à maioridade penal.

Como resultado, o relator deu sinal verde para a tramitação da proposta, mas defendeu, para o momento de voto do mérito, a manutenção da regra de 18 anos para maioridade penal, mas a possibilidade de jovens de 16 anos responderem criminalmente em casos específicos, como crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.