O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliou o encontro com o líder americano, Donald Trump, nesta quinta-feira (7), como “muito produtivo”. A afirmação foi feita em uma de suas redes sociais, onde Lula postou imagens do encontro que durou em torno de três horas, na Casa Branca, em Washington, nos Estados Unidos.
Os dois presidentes cancelaram o plano de conversar com a imprensa juntos, logo após a reunião. Com isso, Lula seguiu para a embaixada brasileira, onde falará com jornalistas ainda na tarde desta quinta-feira.
Trump se manifestou em sua redes afirmando que o encontro foi muito produtivo e anunciou novos encontros entre representantes dos dois países. “Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico presidente do Brasil. Discutimos diversos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito produtiva".
Histórico turbulento
As relações entre Lula e Trump passou por momentos turbulentos desde que o presidente americano tomou posse como presidente, em janeiro de 2025. Os problemas incluíram o tarifaço americano, o apoio do republicado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e até a expulsão de um delegado da Polícia Federal dos EUA.
Em julho do ano passado, Trump anunciou taxa de 50% “sobre todas as exportações brasileiras enviadas para os EUA”, provocando tensões comerciais entre os dois países. Na ocasião, o presidente americano citou práticas comerciais desleais” do Brasil e criticou o julgamento de Bolsonaro no STF.
Antes disso, Trump já tinha afirmado que o Brasil estava "agindo de forma terrível no tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Eu observei, assim como o mundo, como eles não fizeram nada além de persegui-lo, dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano".
As atitudes do americano fizeram Lula subir o tom, dizendo que a democracia no Brasil é um assunto apenas do povo brasileiro e que o país não aceitará “interferência ou tutela de quem quer que seja”. “Somos um país soberano. Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja.”
Na época, Lula e Trump se encontraram presencialmente na Malásia para discutir, principalmente, questões comerciais. Na reunião, que durou cerca de 50 minutos, Lula disse que “não há motivo para conflito”. Já Trump afirmou: "Acho que chegaremos a uma conclusão com o Brasil bem rapidamente".
Mais recentemente, foi a expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho dos EUA que voltou a estremecer as relações dos dois países. A administração Trump afirmou na ocasião que ele tentou “manipular o sistema de imigração” com a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos EUA.
"Nenhum estrangeiro pode manipular o sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território americano", afirmou o setor responsável se referindo à prisão de Ramagem, que é considerado foragido da Justiça brasileira, pela polícia de imigração.
Pontos de discussão
Um dos temas prioritários seria a segurança pública. Os Estados Unidos têm defendido a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, proposta que enfrenta resistência do governo brasileiro. O Planalto avalia que o enquadramento jurídico não é adequado dentro da legislação brasileira.
Apesar da divergência, o governo Lula pretendia avançar na cooperação com os Estados Unidos para combater o tráfico internacional de drogas, o contrabando de armas e a atuação de facções criminosas com impacto nos dois países. A expectativa da comitiva era sair da reunião com algum acordo fechado ou ao menos com negociações avançadas nessa área.
Outro eixo estratégico seria o debate sobre minerais críticos e terras raras. O governo brasileiro queria chegar aos Estados Unidos com a regulamentação do setor aprovada pela Câmara dos Deputados, e o texto foi aprovado de forma simbólica na quarta-feira (6), e é tratado pelo Planalto como um ativo relevante na negociação com Washington.
As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos também estariam na pauta. O governo pretendia discutir investimentos e ampliar negócios bilaterais, além de defender o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central e alvo de questionamentos de setores americanos que alegam impactos sobre empresas dos Estados Unidos.
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