
Eduardo Bolsonaro
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou, na noite desta quinta-feira (14), que nunca recebeu recursos provenientes do banqueiro Daniel Vorcaro, preso em março deste ano sob suspeita de envolvimento em crimes como lavagem de dinheiro e corrupção. “Tudo não passa de uma tentativa tosca de assassinato de reputação”, afirmou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em uma publicação em sua conta no X (antigo Twitter), Eduardo afirmou que, para entrar nos Estados Unidos, onde mora desde o final do ano passado, ele explicou às autoridades americanas toda a origem de seus recursos e não houve qualquer problema. “Meu status migratório não permitiria [receber dinheiro de Vorcaro], o próprio governo americano me puniria”, afirmou.
As suspeitas de que Eduardo teria recebido valores passados por Daniel Vorcaro surgiu após Flávio Bolsonaro ser flagrado cobrando valor do banqueiro, supostamente para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. A produtora Go Up Entertainment e o produtor-executivo Mário Frias, no entanto, negaram haver recursos do banqueiro na produção.
“O filme não é um produto inexistente ou um serviço fake de advocacia, é um produto real com grandes estrelas”, afirmou Eduardo. “Todos os investimentos foram feitos nos EUA porque a produção foi americana, com atores americanos. Além do mais, devido ao estado de exceção, ninguém se arriscaria investir num filme do Bolsonaro no Brasil", completou ele.
Que tipo de vantagem nossa família poderia dar na época além de perseguição da tirania? Meu pai preso, eu exilado e meu irmão sequer sonhava em ser candidato? Vocês tentam sugerir que havia interesse outro, qual interesse poderia existir em uma época em que todos nos consideravam liqüidados? --Eduardo Bolsonaro
Flávio nega irregularidades
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, também negou, mais cedo, que tenha repassado ao irmão qualquer quantia proveniente de Daniel Vorcaro e reiterou que sua participação no projeto de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) restringiu-se à tentativa de captar investimento privado.
"É falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro: os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos", escreveu o senador em nota.
Me relacionei com Daniel Vorcaro estritamente no papel de um filho que buscava patrocínio de um empresário para o filme em homenagem ao pai. Não houve doação, favor, empréstimo pessoal, camaradagem ou vantagem política. Ele fez um investimento que previa retorno financeiro conforme o desempenho comercial da obra. --Flávio Bolsonaro
Os áudios de conversas entre Flávio e Vorcaro foram divulgados na quarta-feira (13) pelo Intercept Brasil. As conversas foram interceptadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero e mostram o senador pressionando Vorcaro pelo pagamento de parcelas prometidas a produção do filme, que teria orçamento de R$ 130 milhões.
“Aqui a gente está passando por um dos momentos mais difíceis das nossas vidas”, afirma o senador na gravação. “Está num momento muito decisivo aqui do filme. E, como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso.”
Na sequência, Flávio menciona o ator Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus Cristo em “A Paixão de Cristo”, e o cineasta Cyrus Nowrasteh. Segundo ele, um eventual calote poderia gerar desgaste internacional para o projeto.
“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus. Os caras renomadíssimos no cinema americano e mundial”, diz o senador. “Todo efeito positivo que a gente tem certeza que vai vir com esse filme pode ter o efeito elevado a menos um.”
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