A senadora Teresa Leitão (PT-PE), recém-nomeada líder do governo no Senado, declarou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca o fim da escala de trabalho 6x1 é tratada como prioridade pelo governo. Em entrevista à BandNews TV, a parlamentar enfatizou que o avanço da matéria é resultado de um debate social consolidado e da própria tramitação na Câmara dos Deputados.
Segundo a líder, o texto atual reúne as condições necessárias para ser discutido. "É (prioridade) a escala 6x1. Pelo que ela avançou, pelo que ela representa no debate social e pelo resultado da Câmara de Deputados, ela está redonda para o debate. O que a gente precisa é ajustar com o presidente da Casa os procedimentos e eu peço muita paciência de todos para isto", afirmou.
Leitão minimizou possíveis resistências internas e focou no rito legislativo. "Não há divergência de mérito. O presidente até colocou alguma coisa na reunião com as centrais sindicais, mas isso não está em debate. Na próxima semana, eu vou conversar com o presidente da CCJ, que certamente vai nos ajudar, porque é para lá que a PEC deve ir. Todo mundo concorda com ela, com o conteúdo dela? Não, mas todo mundo concorda que o debate está maduro", avaliou.
Para a senadora, a condução do tema precisa ser desvinculada do pleito deste ano. "Uma coisa que eu tenho repetido muito é que nós não precisamos conjugar esse debate com o calendário eleitoral. Essa PEC não é eleitoral e não podemos permitir que se faça dela eleitoreira. Ela foi entregue em 2019, protocolada pelo deputado federal Reginaldo Lopes, depois incluída mais recentemente uma outra proposta da deputada Erika Hilton. Então, vamos ao debate", disse.
Relação com Alcolumbre
A senadora negou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tenha imposto barreiras temporais para a discussão da matéria. "A mim, na condição de líder do governo, o presidente Alcolumbre nunca disse que só bota essa PEC na pauta depois da eleição. Nós temos discutido muito sobre ela, mas ele nunca me disse isto", esclareceu.
Leitão também buscou afastar rumores de instabilidade nas relações institucionais. "Eu avalio também que não houve uma ruptura de diálogo entre o Senado e o governo. O diálogo prosperou e aconteceu envolvendo ministros, envolvendo o presidente, envolvendo outros atores, o líder do governo. Eu acho que a gente precisa dar um salto nesse debate com esse objetivo do destravamento da PEC. Não quero falar em ruptura porque não houve", reforçou.
A parlamentar ressaltou a necessidade de foco na agenda prioritária, mesmo diante das dificuldades do calendário. "Nós temos duas semanas para chegar ao recesso, vamos ter um calendário especial que vai conjugar esforço concentrado com reuniões semipresenciais e muitas vezes sessões extraordinárias. Eu preciso convencer meus pares de que essa pauta prioritária não é uma pauta do governo. Ela precisa ser uma pauta da sociedade e o Senado, aí incluído como ator principal neste momento, ator definitivo para aprovação dessas pautas", completou.
O episódio Messias e a conjuntura política
Questionada sobre a recente crise envolvendo a rejeição de indicados pelo governo para o Judiciário, com destaque para o episódio de Jorge Messias ao STF, a senadora tratou o fato como um obstáculo superado. "Vamos dizer que o episódio de Messias é um episódio que aconteceu e que a gente segue a vida. Foi ruim? Foi ruim. Foi difícil para o presidente? Claro. O presidente exerceu o seu poder discricionário, faz parte da Constituição, mas a gente não pode ficar medindo o futuro por esse momento", disse.
Polarização eleitoral no Senado
Sobre o clima no parlamento, a líder do governo destacou a necessidade de convivência com a polarização. "A gente tem que considerar a realidade. A oposição é forte, a gente quer que ela seja responsável também. Para aprovar certas matérias, a gente precisa da oposição e temos convencido, tanto no período do ano passado quanto no período deste ano, onde as coisas estão mais polarizadas, contaminadas pelo processo eleitoral", observou.
Para a senadora, o foco deve ser a manutenção da institucionalidade. "Nós vamos fazer todo esse esforço para que dentro desse momento atípico que todo momento eleitoral traz para o parlamento, exercer essa honrosa função que o presidente Lula me deu. Com paciência, sim, com capacidade de diálogo e, sobretudo, respeitando a institucionalidade. Os dois [Lula e Alcolumbre] têm consciência do que é exercer esses cargos, com responsabilidade e pensando no bem da população brasileira", finalizou.
Quem é Teresa Leitão
Maria Teresa Leitão de Melo nasceu em outubro de 1951 em Recife. Ela se formou em pedagogia pela Universidade Católica de Pernambuco, em 1975, e iniciou a carreira profissional na rede estadual de ensino.
Ingressou no movimento sindical em 1984 como diretora da Associação dos Orientadores Educacionais de Pernambuco (AOEPE). Em 1993, foi eleita presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe).
Filiada ao Partido dos Trabalhadores desde 2000, foi eleita em 2002 à Assembleia Legislativa de Pernambuco com 23 mil votos. Sendo reeleita para mais quatro mandatos. Na Assembleia Legislativa, presidiu a Comissão de Educação e Cultura da casa.
Ela também já foi presidente do PT municipal de Olinda, do PT estadual de Pernambuco e membro do Diretório Nacional do PT.
Nas eleições de 2022, foi eleita senadora por Pernambuco, se tornando a primeira mulher da história a representar o estado no Senado Federal.
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