Um dia após a rejeição do Senado ao nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que pode ter havido atuação de ministros do STF na articulação que levou ao veto por 42 votos contrários e 34 a favor.
Auxiliares do presidente identificaram que o ministro Alexandre de Moraes, com apoio de Flávio Dino, teria ajudado o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na campanha contra o indicado do Planalto. Os ministros negam qualquer atuação nos bastidores.
Na avaliação do governo, teria surgido um distanciamento entre Lula e alguns setores do STF desde que avançaram as investigações sobre o caso do Banco Master. As apurações trazem à tona supostas ligações de membros da Corte com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Outro ponto de tensão é interno: havia no Supremo o receio de que Messias se alinhasse a ministros que defendem a criação de um código de ética para ministros da Corte, uma ideia que sofre resistência dentro de algumas alas do tribunal.
Jorge Messias foi rejeitado como novo ministro do STF na quarta-feira (29) com 42 votos contrários e 34 a favor no plenário do Senado. Ele precisava da maioria simples dos 81 senadores da Casa.
Messias foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ocuparia a vaga do ministro Luís Roberto Barroso, que se aposentou em outubro de 2025. Ao todo, o STF é composto por 11 ministros.
Nova derrota
Já nesta quinta-feira (30), o governo Lula sofreu nova derrota com o Congresso derrubando seu veto ao projeto de lei da dosimetria, que visa reduzir penas a condenados por atos antidemocráticos, como o de 8 de janeiro de 2023.
Na Câmara, foram 318 votos a favor da derrubada do veto, 144 votos a favor dele e cinco abstenções. Já no Senado Federal, o resultado foi de 24 votos a favor da manutenção do veto, enquanto 49 senadores votaram pela derrubada.
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