
Indústrias
Reuters
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) propôs ao governo federal, nesta sexta-feira (17), a amplicação do programa Nova Indústria Brasil (NIB), como forma de mitigar os impactos das novas barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos à indústria brasileira. A taxação de 25% entrará em vigor na próxima quarta-feira (22).
A NIB é a política oficial de desenvolvimento industrial da gestão Lula, lançada em janeiro de 2024 e com vigência até 2033, com objetivo de tornar a indústria nacional mais moderna, sustentável e soberana. Para isso, o programa articula centenas de bilhões de reais em linhas de crédito por meio do Plano Mais Produção e do BNDES).
O presidente da CNI, Ricardo Alban, se reuniu com o vice-presidente, Geraldo Alckmin, e com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Rosa, onde fez o pedido de amplicação do projeto e pediu que a política industrial brasileira seja capaz de oferecer respostas rápidas a cenários complexos.
"A NIB, assim como toda política industrial, precisa ser dinâmica, atualizada e trazer respostas para situações específicas e complexas que o Brasil enfrenta", afirmou o presidente da CNI, que propôs a construção de um plano de ação conjunto entre o governo, as 27 federações estaduais de indústria, associações setoriais e sindicatos.
Estima-se que a medida dos EUA de impor uma taxação de 25% aos produtos brasileiros atinja 26,2% das exportações do Brasil para os EUA, o que representa um volume de aproximadamente US$ 11 bilhões em comércio exterior.
Resposta dinâmica e estratégica
Alban destacou que a amplicação da NIB não anula a necessidade de manter canais diplomáticos abertos com Washington para preservar a relação econômica histórica entre os dois países. O executivo também enfatizou a importância de manter o debate técnico isolado de questões políticas ou do calendário eleitoral.
Lançada para retomar a trajetória de desenvolvimento industrial após quase uma década de estagnação, a Nova Indústria Brasil completou dois anos em janeiro de 2026. Atualmente, a política está organizada em seis missões que focam em temas como digitalização, transição ecológica e inclusão social, contando com cerca de R$ 750 bilhões em linhas de crédito para modernização do setor até 2033.
Com a nova proposta, a CNI busca formalizar um convênio com o MDIC para detalhar as ações de suporte aos setores industriais que serão mais severamente afetados pelas novas tarifas.

