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Jaques Wagner pede e PF adia depoimento em inquérito sobre Caso Master

Em nota, a defesa do senador afirmou que o pedido de adiamento foi feito por não ter sido viabilizado o acesso ao conteúdo da investigação

Thayane Melo
THAYANE MELO

07/08/2026 • 08:25 • Atualizado em 07/08/2026 • 08:25

Bastidores de Brasília
Jaques Wagner

Jaques Wagner

Senado Federal

A defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) pediu à Polícia Federal o adiamento do depoimento do parlamentar no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master. A oitiva estava marcada para esta sexta-feira (7).

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Em nota enviada à Band, a defesa do senador afirmou que o pedido de adiamento foi feito por “não ter sido viabilizado à defesa, por problemas técnicos (todos documentados), o acesso ao conteúdo da investigação, requerido no mesmo ato em que a data foi indicada, há quase um mês”.

“O senador pretende falar. Contudo, por orientação de sua defesa, apenas o fará após conhecer o que efetivamente consta na investigação e o que, de fato, está sendo investigado, pois esse é um direito seu. Somente assim terá condições de prestar um depoimento verdadeiramente esclarecedor”, destacou a defesa.

Ainda conforme a nota, a defesa não fará considerações sobre o mérito “até possuir esses dados para análise”.

Leia a nota completa:

"A defesa do senador Jaques Wagner informa que requereu, com antecedência proporcional, o adiamento do depoimento designado para o dia 7 de agosto, em data que havia sido ajustada com a autoridade policial.

O pedido de adiamento decorre exclusivamente do fato de ainda não ter sido viabilizado à defesa, por problemas técnicos (todos documentados), o acesso ao conteúdo da investigação, requerido no mesmo ato em que a data foi indicada, há quase um mês.

O senador pretende falar. Contudo, por orientação de sua defesa, apenas o fará após conhecer o que efetivamente consta na investigação e o que, de fato, está sendo investigado, pois esse é um direito seu. Somente assim terá condições de prestar um depoimento verdadeiramente esclarecedor.

A defesa não fará considerações sobre o mérito até possuir esses dados para análise."

Investigação

Os investigadores querem ouvir o parlamentar sobre o pedido que ele fez ao ex-sócio do Banco Master Augusto Lima para a compra de um apartamento de 2,5 milhões de reais em Salvador, destinado à filha do senador. A PF também pretende questioná-lo sobre a tentativa de venda de um terreno em Camaçari, na região metropolitana da capital baiana, por 15,8 milhões de reais, um dia após o cumprimento de mandados de busca e apreensão.

Em entrevista após a operação, Jaques Wagner admitiu ter pedido a Augusto Lima a compra do apartamento, mas afirmou que pretendia pagar o imóvel posteriormente e negou ter favorecido o Banco Master em sua atuação no Senado.

Venda de terreno barrada após bloqueio de bens

Reportagem do jornal Estadão revelou que o senador registrou em cartório, em 19 de junho, uma operação de venda de um terreno em Camaçari por 15,8 milhões de reais, um dia depois da busca e apreensão autorizada pelo Supremo Tribunal Federal.

O 1º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari barrou o negócio após o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, determinar o bloqueio de bens do senador. Segundo o cartório, o registro apontou a indisponibilidade do imóvel de Jaques Wagner em cumprimento a protocolo expedido pelo ministro.

A operação faz parte do mesmo inquérito que apura se o senador recebeu vantagens indevidas do Banco Master, suspeita que ele nega por meio de sua defesa.

Terreno em projeto ligado ao Bahia

A área pertencente ao senador fica na Região Metropolitana de Salvador e foi vendida a uma empresa que tem como sócio o Grupo City, dono da SAF que comanda o Esporte Clube Bahia, em parceria com companhias do setor imobiliário.

A previsão é que o terreno integre um empreendimento imobiliário anexo a um novo centro de treinamento do clube. A diretoria de comunicação do Bahia informou que adquiriu terrenos de quatro proprietários diferentes na região, com critérios de mercado.

Segundo o clube, a área que era de Jaques Wagner corresponde a 9,6% do total adquirido. A diretoria afirmou ainda que o bloqueio judicial do imóvel não deve prejudicar a construção do empreendimento.

Empresa compradora detalha negócio

A Lagoons Empreendimentos, empresa compradora do terreno, declarou que o processo de aquisição de imóveis começou em 2024, com a compra de áreas de diferentes proprietários selecionadas com base em critérios técnicos ligados à implantação do projeto.

De acordo com a companhia, o terreno que pertenceu a Jaques Wagner foi adquirido em maio de 2025 e representa 9,6% da área onde será construído o empreendimento anexo ao centro de treinamento do Esporte Clube Bahia SAF.

A empresa informou que todas as aquisições seguiram critérios de mercado, foram validadas por consultorias independentes e passaram por uma due diligence, incluindo a análise de certidões do cartório de registro de imóveis que, segundo a Lagoons, não apontaram restrições que impedissem a escritura pública.

Na nota, a Lagoons afirma que apenas deu continuidade aos trâmites registrais necessários para formalizar a transferência do imóvel, processo iniciado em maio de 2025.

Com informações do Estadão Conteúdo.

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