A Justiça da Itália negou a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL) para o Brasil. A audiência ocorreu nesta sexta-feira (22) na Corte de Cassação de Roma. Nas instâncias inferiores, a extradição foi aceita, mas não foi executada porque ainda cabia recurso. Zambelli está presa em Roma desde julho do ano passado.
Mesmo com a rejeição, o governo italiano pode decidir por extraditar a ex-parlamentar. A palavra final é do ministro da Justiça da Itália. Eles terão 45 dias para tomar uma decisão. Se a decisão for favorável, o governo brasileiro tem 20 dias para organizar a volta de Zambelli ao país.
A defesa da ex-parlamentar alega perseguição política, falta de imparcialidade nos julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF) e riscos nas condições carcerárias brasileiras.
Decisão de Moraes sobre extradição
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governo brasileiro, por meio dos ministérios da Justiça e Relações Exteriores, adote as providências necessárias para a efetivação da extradição de Carla Zambelli.
A determinação do ministro acontece após a Coordenação-Geral de Extradição, órgão vinculado ao Ministério da Justiça, solicitar que o STF enviasse as garantias exigidas pelas autoridades italianas, traduzidas para o italiano, para que o processo pudesse continuar.
Ao analisar o caso, Moraes afirmou que essas garantias já haviam sido enviadas anteriormente aos órgãos competentes, em dezembro de 2025.
Condenações: CNJ e perseguição com arma
Carla Zambelli era investigada por ter orquestrado uma operação para invadir sistemas eletrônicos do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para, segundo a Polícia Federal, “expandir narrativa fraudulenta contra o processo eleitoral brasileiro, com o objetivo de tumultuá-lo”. Outro alvo era o hacker Walter Delgatti Neto, notório pelo vazamento de mensagens que descredibilizaram a operação Lava Jato e que foi contratado por Zambelli para inserir um falso mandado de prisão contra Moraes.
Zambelli também respondeu a outro processo no STF por perseguir um homem com uma pistola na véspera do segundo turno das eleições de 2022. A ex-deputada foi novamente condenada pelo STF pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
Fuga para Itália
Em julho do ano passado, Zambelli foi presa em Roma, capital da Itália, onde tentava escapar do cumprimento de um mandado de prisão emitido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Por ter dupla cidadania, Zambelli deixou o Brasil em busca de asilo político na Itália após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrido em 2023.
De acordo com as investigações, Zambelli foi a autora intelectual da invasão para emissão de um mandato falso de prisão contra Alexandre de Moraes. Segundo as investigações, o hackeamento foi executado por Walter Delgatti, que também foi condenado e confirmou ter realizado o trabalho a mando da parlamentar.
Após a fuga para a Itália, o governo brasileiro solicitou a extradição da ex-deputada para o Brasil.
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