presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (25) a senadora Teresa Leitão (PT-PE) como a nova líder do governo no Senado, substituindo Jaques Wagner (PT-BA). A movimentação representa uma estratégica guinada política para reorganizar a base governista na ala do Congresso e sinalizar disposição ao diálogo direto com as lideranças da Casa.
De acordo com a cientista política Deysi Cioccari, em participação na BandNews TV, a escolha de uma parlamentar mulher e nordestina atende a demandas internas do campo progressista ao mesmo tempo em que abre um importante canal de interlocução com a cúpula do Legislativo.
"Uma mulher, nordestina e com tráfego com o Alcolumbre. Isso é extremamente positivo. Volta para um dos principais assuntos do Lula, que é colocar mais um ministro no STF. Ele acaba deixando um pouco de lado a questão de não indicar uma ministra mulher, mas ele coloca uma mulher como a líder de governo no Senado. Então ele acalma os ânimos, deixa um pouquinho de lado essa questão, ele que tanto defendeu as minorias. E alguém com tráfego com o Davi Alcolumbre. Então é uma bela jogada de bastidor aí. O presidente volta, enfim, a dialogar, a fazer o bastidor político que ele tão bem fez no governo Lula 1 e 2", avalia a especialista.
Melhora na relação com Alcolumbre
O novo desenho da liderança no Senado também busca reestabelecer o equilíbrio de forças em um cenário de alta volatilidade política, onde os antigos acordos de governabilidade já não funcionam com a mesma automaticidade do passado. Questionada se Teresa Leitão conseguirá melhorar a relação entre governo e Alcolumbre, principalmente após a rejeição ao nome de Jorge Messias a uma vaga no STF, Deysi afirma que não há qualquer garantia.
"A gente costuma falar que depois do impeachment de Dilma Rousseff, o presidencialismo de coalizão enfraqueceu muito. Você não tem mais garantias, aquele acordo de cavalheiros que existia antes. Depois de Eduardo Cunha e dessa correlação de forças entre o Congresso e o Executivo, muita coisa mudou. Então, nada é garantido. O que a gente vê agora é uma sinalização do presidente Lula em tentar um diálogo, então ele engole o golpe que ele sofreu do Alcolumbre, mostra uma sinalização, uma tentativa de diálogo. Mostra pro Alcolumbre que tem toda disposição em dialogar. Mas repito, depois de Dilma, o que a gente vê agora é simplesmente: ‘olha, estou aqui com as cartas na mesa, uma disposição para um diálogo’, mas garantias a gente não tem mais não", pontua.
A cientista política destaca que a atual conjuntura exige que o Palácio do Planalto reconheça a robustez e a autonomia política adquiridas pelo Senado, principalmente sob a influência de Alcolumbre.
“É claro que ele (Alcolumbre) precisa do Executivo, ele precisa da liberação de emendas, mas eu diria que hoje, nessa correlação de forças, talvez o Executivo precise mais do Senado do que o Senado do Executivo. Um depende do outro, é uma troca de favores, mas acredito que essa conversa, ela vai até o final. Eu nunca vou esquecer que quando Lula 3 assumiu, a gente falou: 'o presidente Lula vai ter que conversar com o Congresso até o último dia do mandato. Não vai ser um governo fácil, não vai ter uma relação fácil. E é isso que a gente vai ver até o último minuto”.
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