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Moraes determina que governo adote medidas para extradição de Zambelli

Ex-deputada federal está presa na Itália. Em março, a Justiça italiana autorizou o pedido de extradição de Carla Zambelli

RENAN MELO XAVIER

20/05/2026 • 11:49 • Atualizado em 20/05/2026 • 11:56

Bastidores de Brasília
Carla Zambelli

Carla Zambelli

Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governo brasileiro, por meio dos ministérios da Justiça e Relações Exteriores, adote as providências necessárias para a efetivação da extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli.

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Em março, a Justiça da Itália aceitou o pedido de extradição da ex-parlamentar, que está presa no país europeu desde julho de 2025. Zambelli possui passaporte italiano e fugiu após ter sido condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A determinação do ministro acontece após a Coordenação-Geral de Extradição, órgão vinculado ao MInistério da Justiça, solicitar que o STF enviasse as garantias exigidas pelas autoridades italianas, traduzidas para o italiano, para que o processo pudesse continuar.

Ao analisar o caso, Moraes afirmou que essas garantias já haviam sido enviadas anteriormente aos órgãos competentes, em dezembro de 2025.

“As referidas garantias foram formalizadas e encaminhadas aos órgãos competentes para transmissão à Itália, conforme registrado nos autos, na data de 11 de dezembro de 2025”, escreveu Moraes no despacho.

“Tendo em vista o exposto, determino a expedição de ofício ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (Coordenação-Geral de Extradição e Transferência de Pessoas Condenadas) e ao Ministério das Relações Exteriores, para que adotem as providências necessárias à efetivação da extradição”, completou.

Condenações: CNJ e perseguição com arma

Carla Zambelli era investigada por ter orquestrado uma operação para invadir sistemas eletrônicos do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para, segundo a Polícia Federal, “expandir narrativa fraudulenta contra o processo eleitoral brasileiro, com o objetivo de tumultuá-lo”. Outro alvo era o hacker Walter Delgatti Neto, notório pelo vazamento de mensagens que descredibilizaram a operação Lava Jato e que foi contratado por Zambelli para inserir um falso mandado de prisão contra Moraes.

No ataque ao sistema do CNJ, em 2023, foi emitido um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. "Expeça-se o mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes. Publique-se, intime-se e faz o L", dizia o documento falso.

A Polícia Federal (PF) apontou, no relatório da investigação, que documentos apreendidos com a deputada correspondem aos arquivos inseridos pelo hacker no sistema do CNJ, o que para os investigadores comprova que ela participou do ataque. Assim, a PF concluiu que o ataque foi planejado para colocar em dúvida a credibilidade do Poder Judiciário.

Em maio de 2025, a dupla foi condenada por unanimidade pela 1ª Turma do STF. A pena para Zambelli foi de 10 anos de prisão em regime fechado e multa no valor de dois mil salários mínimos, além de indenização de R$ 2 milhões. Vinte dias depois, ela revelou que havia deixado o país e teve o nome incluído na lista da Interpol.

Zambelli também respondeu a outro processo no STF por perseguir um homem com uma pistola na véspera do segundo turno das eleições de 2022. A ex-deputada foi novamente condenada pelo STF pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.

Em entrevista dada no dia em que deixou o Brasil, Carla disse ter sido usada como "bode espiatório" pela derrota de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, em especial pelo advogado Fábio Wajngarten. E que o episódio da perseguição a um cidadão de arma em punho na véspera do pleito a afastou do então presidente e a colocou em depressão.

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