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Nunes diz que apoia ação dos EUA contra PCC e CV: 'Que fique à vontade'

Prefeito de São Paulo diz não ver problema em eventual interferência americana contra as facções, classificadas por Washington como organizações terroristas e critica posição do governo

Da redação
DA REDAÇÃO

29/05/2026 • 17:06 • Atualizado em 30/05/2026 • 01:29

Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo

Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo

Aloisio Mauricio/Fotoarena/Estadão Conteúdo

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta sexta-feira (29) que não vê problemas em uma eventual interferência dos Estados Unidos no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).

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As declarações ocorrem um dia após o governo americano classificar oficialmente as duas facções como organizações terroristas, medida anunciada à revelia do governo Lula e com o apoio explícito do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

"Se for para interferir, para levar integrantes do PCC e do Comando Vermelho pra cadeia, que fique muito à vontade", disse Nunes em coletiva de imprensa, após almoço empresarial promovido pelo Grupo Lide, em São Paulo. O evento reuniu também o ex-presidente Michel Temer (MDB), o presidente nacional do partido, Baleia Rossi, e o vice-governador do Estado, Felício Ramuth (MDB).

O prefeito foi além e criticou a resposta do governo federal à designação. "Lamento que o governo federal, ao invés de fazer uma atuação firme com relação a esse tema, tente minimizar colocando na cabeça das pessoas algo que é totalmente incompreensível de dizer sobre soberania."

A Secretaria de Estado americana emitiu na quinta-feira (28) um comunicado informando a designação do PCC e do CV como organizações terroristas. A classificação foi formalizada após pedido expresso e apoio político de Flávio Bolsonaro, pré-candidato de oposição ao Palácio do Planalto apoiado por Nunes. No próximo dia 5 de junho, as duas facções constarão ainda em uma segunda lista, de Organizações Terroristas Estrangeiras.

Flávio Bolsonaro comemorou a decisão dos Estados Unidos. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também elogiou a medida nas redes sociais.

Do lado oposto, o governo Lula reagiu com dura nota institucional. O Palácio do Planalto rejeitou a classificação das organizações criminosas brasileiras por uma potência estrangeira, evocou ameaças ao sistema Pix como consequência da designação e classificou de "deplorável" o pedido da família Bolsonaro ao governo Donald Trump.

"A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança", diz o comunicado do Planalto.

A tensão diplomática chega em meio ao acirramento do cenário eleitoral para 2026. A medida americana, adotada sem coordenação com Brasília, posiciona o tema do crime organizado no centro do debate político nacional, com aliados de Lula e da oposição divergindo não apenas sobre a eficácia da designação, mas sobre seus próprios fundamentos: soberania versus combate ao crime transnacional.Com Estadão Conteúdo