Band Política

Deputados divergem sobre classificação de PCC e CV como terroristas

Governistas criticam interferência na soberania, e oposição acusa governo Lula de inércia no combate ao crime organizado

Da redação
DA REDAÇÃO

29/05/2026 • 15:38 • Atualizado em 29/05/2026 • 15:38

A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas provocou um acalorado debate entre deputados federais na BandNews TV nesta sexta-feira (29).

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Os parlamentares paulistas Paulo Teixeira (PT), da base governista e Coronel Tadeu (PRD), da oposição, discordaram em praticamente tudo — da avaliação da medida americana à capacidade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de enfrentar o crime organizado.

Para Teixeira, a decisão representa uma ameaça à soberania brasileira e foi articulada pela oposição junto ao governo Trump. "Essa medida não é dos Estados Unidos. É um pedido do Flávio Bolsonaro atendido pelo Trump", afirmou.

O deputado argumentou que o Brasil já combate o crime organizado com eficiência, citando operações da Polícia Federal que bloquearam recursos do PCC no mercado financeiro, e criticou o fato de a oposição recorrer a um governo estrangeiro para pressionar o Brasil. Na sua avaliação, a medida pode encarecer investimentos no País e já teria impactado negativamente a Bolsa de Valores e o câmbio.

Por outro lado, coronel Tadeu defendeu a iniciativa americana e disse que ela reflete uma falha do governo federal no enfrentamento das facções. "Quando um governo não combate o crime organizado com firmeza, alguém vai acabar fazendo aquilo que deveria ter sido feito", declarou.

O deputado afirmou que o PCC e o Comando Vermelho não são apenas organizações criminosas, mas estruturas que dominam territórios, desafiam o Estado e movimentam bilhões de reais. Para ele, soberania não significa fechar os olhos para o crime. "Soberania verdadeira é quando o Estado tem autoridade para impedir que os criminosos mandem mais que o Estado dentro do próprio país", disse.

O deputado da oposição também criticou o que chamou de subfinanciamento das forças de segurança, mencionando cortes no orçamento das Forças Armadas e da Polícia Federal. "Como vai combater o bandido quando ele tem helicóptero e fuzil da melhor qualidade, porque entra por uma fronteira que não é vigiada?", questionou. Tadeu lembrou ainda que o Brasil é apontado como principal rota de drogas para a Europa e os Estados Unidos.

As trocas de acusações foram além do tema principal. Teixeira evocou o envolvimento de lideranças bolsonaristas com investigações criminais e o escândalo do INSS. Tadeu respondeu lembrando casos históricos que, segundo ele, ligam o PT ao crime organizado, como o Mensalão e a Operação Satiagraha.

A conexão entre a visita de Flávio Bolsonaro a Washington e o timing do anúncio americano também foi alvo de disputa: para o PT, é prova de interferência indevida; para a oposição, é resultado de uma demanda legítima de combate ao narcotráfico.