O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou nesta sexta-feira (15) o Hospital de Amor, em Barretos, no interior de São Paulo, e anunciou a maior entrega já realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para ampliar o acesso da população aos tratamentos contra o câncer.
"Nesse hospital aqui não tem dinheiro do Vorcaro", afirmou Lula durante o evento.
O petista não citou o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência da República, mas a declaração acontece na mesma semana em que o site Intercept Brasil divulgou um áudio do político pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme biográfico do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Lula continuou o discurso e afirmou que a gestão do hospital, que é referência no tratamento oncológico no país, sempre que procura o governo para pedir recursos, leva projeto consistente.
"Toda vez que esse moço me procurou para pedir recurso, levou projeto e eu dizia: 'Não é discurso que me convence, mas o projeto. Se o projeto tiver consistência e base real, e tratar com dignidade as pessoas, não terá dificuldade comigo", disse.
Investimento em tratamento contra o câncer
O montante de R$ 2,2 bilhões, segundo o governo federal, é o maior já registrado na rede pública de saúde. Entre as principais inovações anunciadas estão a criação da nova tabela de financiamento do SUS para a oferta de 23 medicamentos oncológicos de alto custo, a criação do financiamento de cirurgias robóticas oncológicas na rede pública e a ampliação do acesso à cirurgia de reconstrução mamária.
Compõem a lista dez medicamentos que serão adquiridos diretamente pelo Ministério da Saúde e distribuídos aos estados, enquanto os demais serão ofertados por meio da Autorização de Procedimento Ambulatorial (Apac), quando a compra é realizada pelos centros habilitados no país, com financiamento federal, e Ata de Negociação Nacional.
Os medicamentos, segundo a Presidência da República, contemplam 18 tipos de câncer, incluindo mama, pulmão, leucemia, ovário e estômago. A depender do tipo de tratamento, o paciente pode economizar até R$ 630 mil, caso fizesse o mesmo tratamento na rede privada, informou o governo federal.
‘É um caso de polícia’
Essa é a segunda vez que o presidente Lula faz referência ao áudio de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro. Durante evento na Bahia, nesta quinta-feira (14), o petista afirmou que o vínculos entre o senador e o banqueiro, preso por fraudes financeiras, é um caso de polícia.
"Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia", afirmou o presidente.
Áudio de Flávio para o dono do Master
Na quarta-feira (13), o site Intercept Brasil divulgou um áudio do pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme biográfico do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O arquivo mostra o pedido de Flávio negociando dinheiro para o patrocínio da produção “Dark Horse”, em 16 de novembro de 2025.
Os policiais federais interceptaram uma série de conversas entre os dois. O pagamento realizado, em seis parcelas, foi de cerca de R$ 61 milhões desde 2024. O restante do valor, estimado no total de R$ 134 milhões, não foi transferido após a falência do Banco Master. Em nota, Flávio Bolsonaro disse que o aporte não se trata de dinheiro público. (Leia a íntegra abaixo)
Durante a troca de mensagem, Flávio mostra intimidade e chama Vorcaro de “irmão”, além de se dizer constrangido com a cobrança.
Na declaração do Imposto Renda do Banco Master, consta um repasse no valor de R$ 2,39 milhões para a empresa usada para financiar o filme de Jair Bolsonaro. O pagamento foi direto para a "Entre Investimentos". Há outros repasses feitos para a mesma empresa.
Um dia após a mensagem de Flávio, Vorcaro foi preso enquanto tentava fugir do país após o rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Na manhã desta quarta-feira, Flávio Bolsonaro foi questionado presencialmente pelo Intercept sobre o financiamento de Vorcaro ao filme e negou.
“De onde você tirou essa informação? É mentira”. Em seguida, deu uma gargalhada e se retirou de onde concedia entrevista à imprensa, próximo ao Supremo Tribunal Federal (STF). Antes, o senador havia se reunido com o ministro Edson Fachin, presidente da Corte.
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