Ao repercutir o escândalo envolvendo o Banco Master em entrevista à BandNews TV nesta quarta-feira (20), o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) apontou fragilidades na fiscalização do Estado: “acho que todos falharam”. O posicionamento do parlamentar reforça o debate sobre o seu projeto de autonomia do Banco Central, que visa garantir recursos à autarquia, que está na pauta de votação da CCJ de hoje.
"Eu acho que todos falharam [...]. O caso do Banco Master, esse cidadão e Daniel Vorcaro, a influência é de muitos anos atrás. Ele já vem montando uma rede de proteção, principalmente com a classe política”, disse.
Para o senador, se o Banco Central possuísse autonomia financeira para realizar concursos e reter talentos, o desfecho do caso Master poderia ter sido antecipado e mitigado pelos técnicos da autarquia. Ele citou o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, para reforçar a gravidade do cenário.
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"O presidente do Banco Central, Galípolo, foi corajoso, mas ele tá chegando a um ponto que tá pedindo socorro. Se tivesse mais uma estrutura para o Banco Central de gente, de pessoas, pode ter certeza que teria sido tomado medidas bem antes dessas falcatruas todas aí estourarem”, completou.
O senador utilizou o caso do Banco Master como o principal exemplo de como a falta de estrutura tem deixado o país vulnerável a fraudes e desvios bilionários. Segundo Vanderlan, a proporção atual de servidores dedicados à auditoria do mercado financeiro é impraticável.
"O normal é de termos 20 técnicos para fiscalizar uma fintech, por exemplo, dependendo do tamanho. No Brasil é um para fiscalizar 20. Nós temos cerca de 1.500, se eu não me engano, fintechs, e não tem quem fiscalize. Talvez hoje, 10%, 15% estão sendo fiscalizadas. Aí vem a questão do Banco Master. [...] Se não forem dadas condições para o Banco Central de fiscalização dessas instituições, vamos ter mais escândalos e mais desvios e mais prejuízo à nação, já que a maioria desses recursos, quem paga é o povo brasileiro”, afirmou.
A matéria agora segue sob articulação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde parlamentares tentam blindar o debate técnico das pressões políticas geradas pelo escândalo.
CCJ do Senado
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal delibera nesta quarta-feira (20), em reunião extraordinária, sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que amplia a autonomia operacional, orçamentária e financeira do Banco Central (BC).
A proposta busca tornar o órgão uma "instituição de natureza especial", deixando de ser uma autarquia e passando a ser dotado de poder de polícia, incluindo poderes de regulação, supervisão e resolução.
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