
Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se encontrou com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, durante a reunião da Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris, na França.
Fontes do Itamaraty disseram à reportagem que os canais de comunicação continuam abertos e o objetivo é manter as negociações. Além disso, Jamieson Greer passou o recado ao chanceler que quer continuar dialogando com o Brasil.
Em relação as sobretaxas, a ideia é itensificar os contatos dentro dos parâmetros discutidos na reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca, em Washington, sem escalar qualquer tipo de conflito entre os parceiros.
EUA propõem novo tarifaço ao Brasil
Dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro ao presidente dos EUA, Donald Trump, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) divulgou recomendações para a Casa Branca taxar em até 25% uma lista de produtos brasileiros.
O texto publicado nesta segunda-feira (1º) cita "atos onerosos" brasileiros relacionados ao "comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas injustas e preferenciais; aplicação das leis anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal" como justificativas para enquadrar Brasília nas sanções da Lei de Comércio americana.
O órgão, porém, lista diversos produtos que estariam fora das sanções, como carne bovina, café, diversas frutas e verduras, além de minerais e metais como carvão, cobalto, níquel e alumínio.
A decisão é tomada no contexto de uma decisão judicial que proibiu Trump de aplicar seu "tarifaço" de forma indiscriminada. Uma tarifa global de 10% é atualmente imposta contra o Brasil e diversos países. A sanção não é automática e depende do aval da Casa Branca.
Brasil manifesta ‘indignação’
O governo brasileiro manifestou indignação com a conclusão da investigação preliminar do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), que sugeriu a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre os produtos brasileiros. Além disso, não descarta usar a Lei da Reciprocidade.
“O governo brasileiro manifesta indignação com a conclusão preliminar anunciada ontem (1º) pelo USTR relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil. Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington”, declarou o governo federal, por meio de nota divulgada pela Secretaria de Comunicação (Secom).
Segundo o Planalto, essas investidas têm contado com o “auxílio de falsos patriotas” que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais.
Para o governo, não há justificativa para as medidas unilaterais contra o país ou contra patrimônios brasileiros como o Pix. Além disso, a nota cita o superávit de bens e serviços dos Estados Unidos com o Brasil nos últimos 15 anos, que acumularam R$ 424,5 bilhões.
O governo brasileiro afirma que o principal efeito das tarifas unilaterais, “politicamente motivadas”, aplicadas ao país tem sido “impor danos à economia nacional e à geração de empregos e renda, além de diminuir o papel dos EUA como nosso parceiro comercial”.
Além disso, a nota cita o acordo entre os presidentes Lula e Trump, por ocasião da reunião em 7 de maio, na Casa Branca, e lembrou que estão em curso negociações tarifárias entre os países “em busca de soluções que resultem no encerramento da investigação, previsto para 15 de julho”, sem imposição de medidas contra o Brasil.
Por fim, o governo federal reafirmou a expectativa de que as recomendações não se convertam em tarifas eletiva, mas reiterou que adotará “toda e qualquer medida capaz de reduzir os danos que venham a ser causados à economia, empregos e renda dos brasileiros”.
“É preciso estar atento aos traidores da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro”, finalizou.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:

