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Defesa critica extradição de Zambelli ao Brasil: "Será um alvo muito fácil"

Fábio Pagnozzi revelou que a permanência na Europa foi uma escolha deliberada da ex-parlamentar devido ao cenário político brasileiro e à composição atual do STF

Da redação
DA REDAÇÃO

26/03/2026 • 13:07 • Atualizado em 26/03/2026 • 13:07

A situação jurídica da ex-deputada federal Carla Zambelli ganhou novos contornos após a Justiça da Itália aceitar o seu pedido de extradição nesta quinta-feira (26). Em entrevista à BandNews TV, o advogado de defesa, Fábio Pagnozzi, revelou que a permanência na Europa foi uma escolha deliberada da ex-parlamentar devido ao cenário político brasileiro e à composição atual do Supremo Tribunal Federal (STF).

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"Sempre foi um pedido da Carla para que não viesse de volta ao Brasil, sabendo que no Brasil, já que não teve um julgamento justo, ela saberia que ali ela não teria nenhum benefício ou nenhum acordo dentro do tribunal, não teria nenhum afrouxamento de sua pena e também de outros processos que poderiam vir, assim como o Inquérito das Fake News", afirmou o advogado.

Segundo Pagnozzi, a ex-deputada resiste ao retorno enquanto o país estiver sob a atual gestão, no que se refere ao governo do presidente Lula e à composição do Supremo. "Ela sempre fez um pedido: enquanto estiver neste governo, com essa turma do STF, eu não quero ser julgada no Brasil. Eu, como advogado da Carla, eu tenho que na verdade trazer para ela opções. E essas opções foram dadas. No momento, a Carla sempre optou pela opção de não voltar ao Brasil. Eu já dei essa opção para ela de voltar ao Brasil, essa opção não foi aceita pela Carla".

Sobre a decisão recente da justiça italiana, o defensor classificou a medida como "sem cabimento" e destacou que o processo ainda depende de uma palavra final do Executivo italiano. "Essa decisão ela tem dois métodos que podem funcionar: um é o Carlo Nordio, o Ministro da Justiça italiano, simplesmente não se pronunciar. Se ele não se pronunciar nos próximos dias, a Carla fica solta no país. Ou seja, ele não é obrigado a acatar a decisão judicial, lembrando que hoje um processo de extradição, ele tem como última palavra o alto poder executivo."

Onde Zambelli ficaria presa no Brasil?

Um dos pontos de maior preocupação da defesa reside na segurança da ex-parlamentar caso ela seja transferida para a penitenciária feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. Pagnozzi aponta que o histórico de Zambelli como legisladora a torna um alvo vulnerável no sistema carcerário comum.

"É uma coisa muito séria isso da prisão que a Carla ficará ou ficaria aqui no Brasil. Foi destinada a ela a prisão da Colmeia. Teve também muitas pessoas que estão hoje presas com penas ali, projetos de lei que a Carla criou. Então a Carla Zambelli dentro dessa prisão feminina do Distrito Federal, ela será um alvo muito, mas muito fácil daqueles que não gostam dela", alertou o advogado. Ele reforça que o perfil político da ex-deputada impede que ela receba o mesmo tratamento de outras figuras do alto escalão, temendo por sua integridade física em celas comuns.

Como funciona o recurso da defesa

A estratégia jurídica agora foca na Corte de Cassação italiana, órgão equivalente ao STF brasileiro, buscando anular o processo por vícios de origem.

"Nós temos um pedido para que se fosse trocado os juízes por vícios processuais gravíssimos que ocorreram em primeiro grau. Esse pedido foi negado porque ele foi, obviamente, julgado pelo próprio tribunal. Então, colocamos ao Tribunal Superior, que é a Corte Cassação. Esse pedido está lá para ser julgado ainda, esse recurso, e pode, caso aceito, voltar ao status quo, ao status de piso do processo de extradição. A Carla seria então, de novo, desde o início, tendo o processo ali reformulado com outros juízes", explicou Pagnozzi.

Situação de Carla na Itália

Atualmente, a ex-deputada vive uma rotina de isolamento e restrições na Itália. Segundo seu advogado, ela está em uma ala de presos comuns, após ter passado por setores mais agressivos no início da detenção.

"Ela tem direito a seis visitas por mês. Essas seis visitas são junto com outros detentos, não é uma visita privada. São várias pessoas ao mesmo tempo durante duas horas. Ela está numa situação obviamente de angústia. Provavelmente o que aconteceu hoje, essa decisão, vai ser levado a ela à cela, provavelmente em italiano, simplesmente a decisão da extradição. Teria que um advogado se deslocar até lá para explicar para ela de uma forma mais humana o que está acontecendo."

Pagnozzi também negou que haja qualquer suporte financeiro estruturado para a manutenção da ex-deputada ou de sua defesa. "Carla Zambelli nunca recebeu nenhuma ajuda financeira. A única coisa que Carla Zambelli recebeu foi a visita de quatro senadores que viajaram comigo: foi o Flávio Bolsonaro, Damares, Magno Malta e senador Girão. Fora isso, a Carla nunca teve apoio de ninguém, inclusive a defesa nunca sequer ganhou um real com a causa da Carla Zambelli".