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Zema critica STF e faz comparação: "É como se tivéssemos um papa pedófilo"

Segundo o governador, a mais alta instância do Judiciário brasileiro deveria servir de exemplo para o país, mas hoje daria sinais opostos

Da redação
DA REDAÇÃO

18/03/2026 • 18:16 • Atualizado em 18/03/2026 • 18:16

Governador de Minas Gerais, Romeu Zema

Governador de Minas Gerais, Romeu Zema

Reprodução/Tony Oliveira/Agência Brasília

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), pré-candidato ao Palácio do Planalto, comparou o Supremo Tribunal Federal (STF) a um "papa pedófilo" durante discurso em evento do agronegócio em Minas Gerais, nesta quarta-feira (18), ao criticar a atuação da Corte.

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Comparação ao papa e críticas ao silêncio

A fala ocorreu durante o evento 'Agro - a força de Minas', quando Zema respondeu a uma pergunta sobre como pretende incluir o agronegócio em sua pré-campanha à Presidência.

Segundo o governador, a mais alta instância do Judiciário brasileiro deveria servir de exemplo para o país, mas hoje daria sinais opostos. Ele argumentou que a conduta dos ministros influencia o comportamento de juízes em outras instâncias.

Eu não me lembro de ter assistido à mais alta Corte do Brasil, que deveria ser referência... Olha o que ela está aprontando. É como se nós tivéssemos um papa pedófilo. O que esperar dos padres? Então, estamos hoje nesta situação

Em outro momento, o mineiro voltou a atacar o Supremo e afirmou que falta reação de instituições e da sociedade diante das suspeitas que envolvem a Corte.

É algo aterrador o que nós estamos vivendo. E, como eu já falei, muita gente calada. Cadê os estudantes de direito que defendem tanto a democracia? Cadê as associações de magistrados, o presidente da República? Onde está esse pessoal? Quem não está discordando está concordando com essa situação

Críticas ligadas ao caso Banco Master

Nas últimas semanas, Zema já vinha mencionando o escândalo de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master para questionar o envolvimento de ministros do STF. As declarações se intensificaram após a revelação de supostas conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono da instituição.

No dia 9 de fevereiro, o governador protocolou um pedido de impeachment de Moraes no Senado. O documento é assinado pelo presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, e por deputados e senadores do partido, com exceção do deputado Ricardo Salles (SP) e de outros correligionários, como o ex-deputado Deltan Dallagnol.

Na justificativa, o partido afirma que Moraes foi "desidioso no cumprimento do cargo" e que procedeu "de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções". Pedidos de impeachment de ministros do Supremo precisam ser analisados pelo Senado.

Saída do governo de Minas e cenário eleitoral

Zema já iniciou as despedidas no governo e deixará o cargo no próximo domingo, 22 de março, para se desincompatibilizar e ficar livre para disputar a eleição presidencial. Ele se despede sem conseguir transferir votos para o vice, Mateus Simões (PSD), pré-candidato ao Palácio Tiradentes, e com o próprio futuro político em aberto.

Em público, o governador repete que pretende concorrer à Presidência da República. Nos bastidores, porém, ele é cotado como possível vice em alguma chapa do campo da direita, como uma eventual candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Zema já negou a possibilidade de disputar uma vaga ao Senado.

Em pesquisas internas feitas por nomes da direita, o mineiro aparece, até aqui, com dificuldade de transferir votos, o que tem se refletido nos números de Mateus Simões na corrida pelo governo estadual.