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Política

O que o STF julga nesta terça-feira? Entenda sessão histórica em 6 pontos

Um julgamento histórico se inicia no Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta terça-feira (15), a partir das 10h, a Primeira Turma decidirá se o ministro

7 min

15/09/2026 05:00 • Atualizado há 40 dias

Um julgamento histórico se inicia no Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta terça-feira (15), a partir das 10h, a Primeira Turma decidirá se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado no caso do Banco Master. Em 135 anos de existência, é a primeira vez que a Corte deverá decidir se investigará criminalmente um de seus integrantes.

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A sessão convocada pelo presidente do Supremo, Edson Fachin, analisará uma possível interferência de Moraes nas apurações e no desenvolvimento do caso Master, sobretudo após relatório da Polícia Federal (PF) divulgar trechos de conversas entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro.

A sessão acontece num momento de clamor popular e de diversos setores, de agentes políticos ao empresariado, por mais transparência sobre as decisões aplicadas pela Corte, bem como a redução da concentração de poder por meio de decisões monocráticas. O julgamento também é uma tentativa de Fachin de endereçar os supostos envolvimentos de ministros com Vorcaro. Com isso, há forças maiores em jogo com aliados de Moraes e André Mendonça, que também será julgado no próximo dia 23, buscando adiar a votação ou mesmo conseguir a nulidade do processo.

O que o STF começa a julgar nesta terça?

O Supremo Tribunal Federal inicia a análise do relatório produzido pela Polícia Federal que aponta diálogos e conexões entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. A pauta envolve decidir se há elementos para abrir uma investigação criminal contra o magistrado em virtude de uma suposta interferência nas apurações do caso. O debate ganha contornos de rito inédito na história da Corte, pautado sob a determinação de máxima publicidade e o levantamento do segredo de Justiça de grande parte dos autos vinculados ao episódio.

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Como será o rito?

A condução da sessão extraordinária e a definição dos procedimentos internos foram estruturadas para dar transparência ao embate inédito dentro da Corte. O rito estabelecido prevê etapas de manifestação das partes envolvidas, leitura do relatório e o debate entre os ministros da Primeira Turma antes da votação nominal sobre a abertura ou não da investigação criminal.

A dinâmica do julgamento também reflete as tensões regimentais em torno do caso, equilibrando o direito de defesa, as questões de ordem levantadas por ministros (como os pedidos de adiamento e de nulidade) e a publicidade dos atos processuais determinada pela presidência do tribunal. O rito estabelecido pela presidência segue uma sequência formal para a análise do caso:

  • Abertura da sessão: Início dos trabalhos marcado para as 10h, seguido pela leitura e aprovação da ata da sessão anterior e as saudações regimentais aos ministros.
  • Pregão do processo: O presidente da Corte, Edson Fachin (que assumiu a relatoria central do caso), chama oficialmente a matéria para julgamento e delimita o escopo do que será discutido pelos magistrados.
  • Leitura do relatório: Apresentação detalhada do resumo dos autos, das peças e do relatório produzido pela Polícia Federal com as mensagens e interações atribuídas aos envolvidos.
  • Manifestação da PGR: A Procuradoria-Geral da República tem espaço garantido para expor seus argumentos — incluindo a defesa pela nulidade de provas —, além de eventuais sustentações orais das partes.
  • Votação do colegiado: O relator apresenta seu voto inicial, seguido pela manifestação individual dos demais ministros da Turma ou do Plenário, respeitando a ordem regimental de votação.
  • Proclamação do resultado: Após a coleta dos votos e eventuais debates ou pedidos de vista, o presidente do STF anuncia o resultado final da deliberação.

Por que Moraes é investigado?

As atenções se voltam ao ministro Alexandre de Moraes após o avanço das apurações da Polícia Federal sobre o núcleo de relações de Daniel Vorcaro. O relatório aponta pelo menos dez encontros presenciais entre o magistrado e o banqueiro além de uma intensificação expressiva na troca de mensagens telefônicas em momentos críticos, com destaque para o período imediatamente anterior à prisão de Vorcaro.

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O material recuperado pelos investigadores traz à tona conversas diretas e indícios de proximidade que motivaram a avaliação sobre uma suposta interferência do ministro no andamento das apurações do Banco Master. A linha do tempo montada pela Polícia Federal também cruza dados de diálogos envolvendo outros integrantes do sistema de Justiça e do governo, ampliando o escopo da crise institucional dentro de Brasília.

Qual é o teor das mensagens trocadas com Vorcaro?

As conversas extraídas do aparelho celular do banqueiro Daniel Vorcaro revelaram articulações diretas para a marcação de agendas reservadas com autoridades da cúpula do Judiciário. Os registros mostram que, em 16 de fevereiro de 2025, o advogado Ciro Soares enviou uma mensagem a Vorcaro cobrando a marcação de um encontro com o ministro André Mendonça, escrevendo que "o A.M. quer recebê-lo e preciso agendar o quanto antes. Muito importante sua ida nele junto comigo".

Em um áudio complementar enviado na sequência das tratativas, o advogado detalhou a proximidade da interlocução com o magistrado, citando que havia sido homenageado por Mendonça em uma comemoração que também reunia o ministro Kassio Nunes Marques e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Na gravação, a defesa argumentava que o ministro demonstrava interesse em ouvir o dono do Banco Master e sugeria a inclusão de outros nomes nas conversas sobre a situação da instituição junto ao Banco Central.

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Mendonça será julgado junto de Moraes?

André Mendonça não será julgado de forma unificada no mesmo escopo imediato junto com Moraes, mas a conduta do magistrado também se encontra no epicentro da mesma crise que atinge o Supremo. Mendonça admitiu publicamente que recebeu Daniel Vorcaro em seu gabinete em uma única ocasião, no mês de março de 2025, com o objetivo de tratar de uma ação judicial específica que tramitava na Corte.

A situação de Mendonça ganhou novos contornos após vir à tona que o banqueiro chegou a prestar depoimento diretamente no gabinete do ministro, sem a presença de agentes da Polícia Federal. Diante do emaranhado de decisões cruzadas, Edson Fachin optou por suspender atos anteriores assinados por Mendonça e por Dias Toffoli e Flávio Dino, chamando para o plenário a competência de debater e pacificar os rumos dessas controvérsias.

Qual deve ser o andamento da sessão?

O cenário em torno da sessão é marcado por intensa articulação de bastidores, com aliados de Alexandre de Moraes e do próprio André Mendonça movimentando-se para tentar adiar a votação ou obter a nulidade integral das provas reunidas. O decano da Corte, ministro Gilmar Mendes, sugeriu formalmente o adiamento da sessão que analisa a conduta de Moraes, apontando a necessidade de maior prudência e saneamento processual antes de qualquer juízo de valor.

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Paralelamente às tratativas políticas e regimentais, a Procuradoria-Geral da República protocolou um pedido de nulidade das provas colhidas nessa vertente da apuração. A argumentação central reside no fato de que a devassa original não mirava primariamente os ministros do Supremo, o que geraria contaminação dos elementos obtidos e colocaria em xeque a legalidade do prosseguimento das investigações nos moldes atuais.

A dinâmica do julgamento também abre margem para manobras regimentais que podem estender os prazos da Corte. Há forte expectativa de que algum ministro apresente um pedido de vista para analisar o material com mais cautela, o que tem o potencial de paralisar a retomada da votação por até 90 dias.

Diante dessa possibilidade, integrantes do STF avaliam a estratégia de antecipar votos ainda na sessão inicial para tentar consolidar tendências no colegiado, embora eventuais mudanças de posicionamento permaneçam liberadas até a proclamação final do resultado.

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As deliberações esbarram, ainda, em impasses sobre quem está apto a julgar a matéria. O ministro Dias Toffoli já declarou impedimento por suspeitas de ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro, enquanto o próprio Alexandre de Moraes também pode ser considerado impedido por ser o alvo direto da investigação.

Com possíveis ausências e divisões internas, os cálculos de bastidores apontam para um cenário acirrado — projetando um eventual empate em 3 a 3 na Primeira Turma, o que colocaria a ministra Cármen Lúcia e o presidente Edson Fachin na posição de votos decisivos para desempatar o rito.

Onde assistir ao julgamento histórico do STF?

A sessão extraordinária do plenário terá transmissão ao vivo pela TV Justiça, pela Rádio Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube, além de cobertura nos canais do Band.com.br, da BandNews TV, no aplicativo Bandplay e nas rádios Bandeirantes e BandNews FM.

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