Rogério Marinho minimiza carta de Flávio e diz não haver provas de fraude
O parlamentar acusou o governo atual de abuso de poder e criticou a abertura de investigações no STF

O senador Rogério Marinho (PL) atribuiu o teor da carta divulgada por Flávio Bolsonaro (PL) nesta quarta-feira (28) a um "desabafo" emocional decorrente do impacto do "exílio" e do resultado do segundo turno das eleições presidenciais.
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As pesquisas que foram anunciadas antes das eleições claramente mostravam uma situação diferente. Então, ele está sob o impacto dessa situação e também pelo fato de ter sido exilado do país. --Rogério Marinho
Além de relativizar as declarações do aliado, o parlamentar acusou o governo de abuso de poder e criticou a abertura de investigações no STF sobre interferência estrangeira na eleição, alertando para a tentativa de inviabilizar a oposição e cassar o registro do Partido Liberal (PL).
'Desabafo' pós-eleitoral e erro em carta
Ao analisar a repercussão do documento divulgado por Flávio Bolsonaro após sua chegada aos Estados Unidos, Rogério Marinho ressaltou que a versão oficial e definitiva do texto —publicada no perfil do senador no X (antigo Twitter)— o define como "líder" da oposição, e não como presidente eleito. Marinho atribuiu a menção inicial sobre a eleição a um "problema na confecção da carta" e a uma reação emocional.
Segundo o senador, Flávio está sob forte impacto psicológico e familiar após precisar deixar o país abruptamente com a esposa e as filhas, somado à surpresa com o resultado das urnas no segundo turno, que contrariou as projeções das pesquisas eleitorais prévias. O parlamentar reafirmou que Flávio permanece como a maior expressão política da direita no Brasil.
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PL descarta tese de fraude, mas cita abuso econômico
Questionado diretamente se o Partido Liberal (PL) endossa as alegações de fraude eleitoral citadas na primeira versão do texto, Marinho foi categórico ao afirmar que nem ele nem a legenda podem fazer essa acusação por ausência de provas materiais.
O senador defendeu que a manifestação do aliado se insere no direito constitucional de indignação, mas ponderou que qualquer afirmação dessa natureza exige demonstração probatória.
Por outro lado, o líder oposicionista sustentou que houve "violento abuso do poder econômico e de autoridade" durante o pleito.
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Marinho citou a concessão de mais de R$ 60 bilhões em benefícios e perdões de dívidas promovidos pelo governo após a apresentação da proposta orçamentária, classificando as medidas como uma transgressão grave da ordem econômica.
O parlamentar destacou que o PL mantém quase 20 ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pedem a cassação da chapa vitoriosa e defendeu o fim do instituto da reeleição no país.
Ausência de mandado e 'exílio político'
Ao abordar as circunstâncias da viagem de Flávio Bolsonaro, Marinho revelou que o senador não informou nenhum de seus aliados sobre o plano de deixar o Brasil, agindo para "proteger a todos". O líder da oposição soube da saída pelos veículos de imprensa e só conseguiu falar brevemente com Flávio por meio de um advogado minutos antes da coletiva.
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Marinho classificou a situação do colega como um "exílio político", argumentando que a permanência no Brasil inviabilizaria sua atuação sem o risco iminente de prisão. O senador esclareceu que não existe ordem de prisão contra Flávio, mas sim medidas cautelares e retenção de passaportes ligadas a um processo baseado em uma conta bancária de que Flávio nunca foi titular.
O parlamentar criticou o fato de a medida cautelar ter sido solicitada apenas sete minutos após a proclamação do resultado eleitoral.
Críticas a Flávio Dino e risco ao registro do PL
A coletiva também foi marcada por duros ataques à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Rogério Marinho acusou ministros da Suprema Corte de "driblarem" a Justiça Eleitoral e invadirem prerrogativas de outros Poderes, gerando uma disfuncionalidade institucional grave no país.
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O parlamentar criticou especificamente a decisão do ministro Flávio Dino de abrir um procedimento para investigar suposta interferência estrangeira na eleição, afirmando que a matéria é de competência exclusiva do TSE.
Para Marinho, a iniciativa representa uma ingerência indevida e sinaliza uma tentativa de inviabilizar o principal partido de oposição. "Corremos o risco, por exemplo, do PL não ter mais registro para funcionar, porque não se quer oposição no país", alertou.
Presidência do Senado e liderança à distância
Apesar do cenário de crise, Rogério Marinho reafirmou a manutenção de sua pré-candidatura à Presidência do Senado, sujeita à homologação formal do PL. Ele defendeu que sua plataforma será focada na recuperação da independência do Poder Legislativo e no cumprimento estrito da Constituição Federal.
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Marinho descartou que o exílio de Flávio enfraqueça a oposição no Congresso ou abra margem para um vácuo de poder, destacando que a direita conta com múltiplos quadros expressivos — como o governador Tarcísio de Freitas e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Para o senador, a atuação à distância foi o único caminho que restou a Flávio para preservar sua integridade e voz política.
