Política

Sem provas, Flávio volta a falar em fraude e diz que saiu do Brasil por 'censura'

Candidato derrotado à presidência detalhou fuga e afirma que Lula 'jogou fora lei eleitoral'

5 min

30/10/2026 22:31 • Atualizado há 48 min

Sem provas, Flávio volta a falar em fraude e diz que saiu do Brasil por 'censura'

Flávio Bolsonaro teria fugido para a Argentina

REUTERS/Adriano Machado

No primeiro pronunciamento em vídeo feito após fuga para os Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro voltou a afirmar que foi vítima de uma fraude sem apresentar provas. Em uma transmissão ao vivo em seu Instagram nesta sexta-feira (30), Flávio relembrou último encontro com o pai, Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado.

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O vídeo foi realizado dois dias após a chegada de Flávio aos Estados Unidos, na quarta-feira (28). Também foi neste dia que o senador divulgou uma carta em que se autoproclama "o verdadeiro presidente do Brasil" e rechaçou a vitória do adversário.

Flávio Bolsonaro afirmou que "não saiu do Brasil, mas saiu pelo Brasil", afirmando ser vítima de censura. Ele encorajou que candidatos façam do Congresso Nacional uma "trincheira". Sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que o presidente reeleito "jogou fora" a lei eleitoral. "Eu digo que eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil", afirmou Flávio.

Leia o conteúdo do vídeo na íntegra. Abaixo, trechos das principais falas do senador.

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Último encontro com Jair Bolsonaro

Flávio Bolsonaro começa a transmissão detalhando o último encontro com Jair Bolsonaro, na segunda-feira (26), quando o visitou por meia hora em prisão domiciliar.

"Eu não sabia que ia ser a última vez. Eu não sei quando é que eu vou poder vê-lo mais uma vez. [...] passados 30 minutos, uma pessoa bate na porta, que é quem vem avisar que o horário da visita terminou para eu poder sair. E aí quando ele veio chamar, falou: 'Flávio, o horário da visita acabou, mas tem um pessoal da Polícia Federal aqui na porta da casa do seu pai'. Então eu olhei para a cara dele e falei: 'Pai, começou a perseguição, até um pouco antes do que eu imaginava que começaria'", afirmou Flávio.

Entre as medidas estabelecidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes contra Flávio estavam a apreensão dos passaportes (comum e diplomático), a proibição de deixar o país e a vedação de qualquer contato com o advogado e amigo do senador Willer Tomaz.

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As medidas cautelares determinadas contra Flávio acontecem no âmbito de um inquérito que tramita no STF e que apura possível relação do parlamentar por suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras atípicas em bets.

Flávio diz que 'não concorda' com resultado das eleições

Flávio Bolsonaro também voltou a negar o resultado das eleições, alimentando narrativas de que uma suposta fraude teria sido cometida contra ele. Contudo, ele não apresentou provas.

O resultado das eleições foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF). Após divulgar uma carta em que se diz "o verdadeiro presidente do Brasil", partidos da base do senador ou ligados ao centro e à direita emitiram comunicados e notas em que reconhecem o resultado das urnas.

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"Eu não concordo [com o resultado das eleições], mas em algum momento vou explicar por quê. Foram vários gols de mão que o meu adversário fez e que não foram anulados pelo VAR. Jogou completamente fora da legislação eleitoral", afirmou.

"Não foi fácil sair do meu país para continuar pelo menos tendo uma voz ativa. Isso foi o que passou pela minha cabeça", afirmou Flávio. Ele adotou um discurso antissistema ao afirmar que as instituições "estão completamente aparelhadas", cobrando investigações para expor "as entranhas do poder judiciário", afirmando que "a atuação político participativa na mais alta Corte desse país".

"É aquela situação que você não tem a quem recorrer caso você se sinta vítima de uma injustiça", disse o senador.

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Flávio vem atribuindo como fraude a autorização do ministro Cristiano Zanin para a expansão do horário de votação em todo o país no segundo turno, após cidades apresentarem problemas na circulação de ônibus ou dificuldades dos eleitores de chegar às urnas por razões climáticas.

Contudo, tanto a coligação de Lula quanto a de Flávio enviaram requerimentos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que o horário de votação seja estendido em todos os estados até às 19h. Depois de Zanin, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Kassio Nunes Marques acompanhou a decisão em seguida.

Segundo o TSE, cerca de 34 mil eleitores brasileiros votaram durante a prorrogação, entre 17h e 19h. O número fica abaixo da diferença de votos que seria necessária para a vitória de Flávio. Lula venceu o pleito com 51,74% dos votos válidos e Flávio recebeu 48,26%. A diferença entre os dois é de mais de 4 milhões de votos.

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Flávio diz que decidiu viagem 'com esposa, sem que ninguém soubesse'

A base aliada de Flávio Bolsonaro, bem como seus advogados, afirmaram ao longo da semana que não teriam conhecimento da ida de Flávio aos Estados Unidos.

No vídeo, Flávio afirma que a viagem foi combinada com sua esposa, Fernanda Bolsonaro. "Tomei a decisão com minha esposa sem que ninguém soubesse, até porque se soubesse a chance de dar errado seria maior. [...] Não apontem o dedo pra ninguém, não tem ninguém responsável pelo que aconteceu com relação a minha saída", afirmou.

'No Brasil, seria uma voz censurada'

Também sem apresentar evidências, Flávio Bolsonaro afirmou que parlamentares "não se sentem confortáveis de expressar o que verdadeiramente pensa" e afirmou que seria uma voz censurada. "Infelizmente, queria muito estar aí, mas eu acho que eu seria só mais uma voz calada e censurada, assim como é a do presidente Bolsonaro. Daqui eu ainda tenho alguma possibilidade de continuar conversando com vocês", disse.