
Trump na Casa Branca
Kevin Lamarque/Reuters
Enquanto Estados Unidos e Irã se preparam para uma negociação de cessar-fogo nesta sexta-feira no Paquistão, um ataque a uma refinaria iraniana horas após o anúncio da reunião evidencia a instabilidade da trégua. Para analisar o cenário, o professor de Direito Internacional, Manuel Furriela, detalha a complexidade do acordo e os interesses em jogo.
Segundo Furriela, a fragilidade do diálogo é imensa. Ele recorda que os dois países não mantêm relações diplomáticas desde 1979 e que o atual canal de comunicação, mediado pelo Paquistão, só foi possível porque "as partes se atacaram mutuamente e causaram enormes estragos uns para os outros". Para o especialista, a negociação não visa superar rivalidades históricas, mas sim diminuir os prejuízos e a continuidade da destruição. "Acredito sim que haja a grande possibilidade de uma composição, porque as partes sofreram enormes prejuízos e sabem que tem que contabilizar isso", avalia.
Pressão, estratégia e o papel da Europa
Questionado sobre as críticas à estratégia agressiva do presidente Donald Trump, que ameaçou destruir o Irã, Furriela aponta que a pressão foi um elemento-chave para forçar o diálogo. "Infelizmente não dá para construir nada, não se chega a uma composição sem pressão de todos os lados", explica.
O professor lembra que uma tentativa de acordo pacífico, mediada pela Europa durante o governo Obama, fracassou por fragilidades, principalmente pela recusa do Irã em aceitar o controle de seu desenvolvimento nuclear. Desta vez, EUA e Israel agiram por entender que o Irã vivia um "momento raro de fragilidade", com protestos internos e a perda de aliados como a Síria.
A Europa, por sua vez, não se engajou diretamente no conflito por também viver um "momento de fragilidade". "Ela pode ser alvo dos mísseis balísticos. O Irã possui mísseis que provavelmente podem alcançar mais de 4 mil quilômetros. Ou seja, podia chegar em alvos europeus", pontua Furriela.
Líbano: o ponto mais delicado do conflito
Um dos temas mais críticos, segundo o professor, é a situação do Líbano. Israel tenta separar o cessar-fogo com o Irã de seu combate ao Hezbollah, grupo que atua em território libanês com apoio iraniano. "O Líbano precisa, ele como Estado, tomar uma decisão", afirma Furriela. "Ou ele se organiza e pede apoio internacional e repele a existência desse grupo dentro do seu Estado, ou ele incorpora como um grupo de interesse e assume que o Líbano tem uma posição contra Israel".
Para o especialista, a atual posição ambígua do Líbano apenas faz com que sua população civil sofra as consequências dos ataques de Israel, que não pretende abrir mão de continuar combatendo o Hezbollah.
Ameaças de Trump e o embargo de armas
Durante a entrevista, o presidente Donald Trump anunciou que países que venderem armas ao Irã serão taxados em 50%. Furriela explica que, apesar de o Irã estar sob embargo de armas da ONU há anos, o fornecimento ilegal acontece. "Provavelmente a origem é a Rússia e da Coreia do Norte. Com certeza, essas são as principais origens, mesmo não sendo oficiais", conclui o professor.
Newsletter Notícias
Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.
Selecione os seus temas favoritos:


