A Prefeitura de São Paulo deu o pontapé inicial no processo de concessão à iniciativa privada de um dos espaços de convivência mais emblemáticos e efervescentes da região central da capital: a Praça Roosevelt. A informação foi confirmada em primeira mão pela reportagem da Rádio Bandeirantes e detalhada durante o programa Bora Brasil.
Para discutir o futuro do espaço e colher propostas da sociedade antes da publicação final do edital, a administração municipal convocou a população para uma audiência pública que será realizada no próximo dia 17 de junho.
O projeto está sendo conduzido pela Secretaria de Parcerias, sob o comando do secretário Paulo Galli. Em entrevista à emissora, o secretário garantiu que o modelo desenhado para a Roosevelt é completamente diferente do polêmico contrato do Vale do Anhangabaú, cujos problemas operacionais levaram a própria Prefeitura a pedir a suspensão da concessão.
Aposta em estacionamento subterrâneo e quiosques
Diferente de outros espaços públicos privatizados na cidade, a empresa que vencer a licitação não terá como foco a realização de megaeventos comerciais ou grandes shows musicais. O pilar financeiro do negócio será a exploração de infraestruturas já existentes.
Abertura do Subterrâneo: O principal trunfo da concessão é a reforma completa do enorme estacionamento subterrâneo da praça, hoje restrito ao uso exclusivo de agentes públicos. A concessionária terá que abri-lo para o público geral;
Fomento ao Entorno: A oferta de vagas deve beneficiar frequentadores do circuito cultural da área, que abriga diversos teatros, bares, as salas do Cine Satyros Bijou e o icônico edifício Copan, localizado a poucos metros dali;
Modelo de Lucro: Além das tarifas de estacionamento, a empresa lucrará com a exploração comercial de novos quiosques instalados no nível da praça.
Sem cercas e com revitalização da rua Gravataí
O contrato prevê um investimento estimado em R$ 8 milhões por parte da iniciativa privada. Em contrapartida, a concessionária terá obrigações rígidas de zeladoria e infraestrutura:
"A empresa vencedora ficará responsável pela manutenção da parte de cima da Praça Roosevelt e terá que revitalizar também a Rua Gravataí, um calçadão que faz a ligação de pedestres entre a Rua Augusta e o miolo da praça. O contrato proíbe expressamente o cercamento do local ou a cobrança de ingressos para acesso à área comum", informou o jornalismo da rádio.
As tradicionais feiras de rua, manifestações artísticas espontâneas e os skatistas — que adotaram o piso liso da praça como um dos principais picos do esporte no país — continuarão autorizados a frequentar o espaço livremente.
Alerta contra a "gourmetização" do Centro
Apesar das promessas de melhorias na segurança e na limpeza, a bancada do Bora Brasil reforçou a importância de os moradores, artistas e comerciantes do centro participarem ativamente da audiência pública do dia 17 de junho.
O receio da comunidade local baseia-se em experiências recentes de concessões na capital que, embora tenham mantido a gratuidade na entrada, passaram por um processo de inflação de preços e "gourmetização". O medo é que os serviços oferecidos nos quiosques fiquem caros demais, expulsando o perfil boêmio, diverso e popular que tradicionalmente molda a identidade cultural da Praça Roosevelt.
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